Negócios

Show de negócios

O Brasil se tornou parada obrigatória para grandes turnês internacionais. Mas a questão é: as empresas de venda de ingresso estão preparadas para a demanda? 


Paul McCartney, Bon Jovi, Eminem, Amy Winehouse e U2. Esta é uma pequena lista de cantores e grupos musicais que já passaram pelo Brasil este ano ou ainda vão mostrar seu talento por aqui nos próximos meses. Foram 30 grandes produções de artistas internacionais realizadas em arenas e estádios em 2009, 60 neste ano e a expectativa é que sejam outras 75 em 2011. As atrações do show biz colocaram o Brasil no mapa dos grandes eventos internacionais por causa de dois fatores: a queda das vendas de CDs, fenômeno que surgiu com a popularização da internet e das músicas digitais, e a crise econômica, o que fez os mercados americano e europeu perderem espaço. Nesse ambiente, o Brasil saltou aos olhos. 

 

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US$ 28,5 bilhões é quanto movimentou o mercado de entretenimento no Brasil,

em 2009, de acordo com um estudo da consultoria A.T. Kearney

 

De acordo com um recente estudo realizado pela A.T. Kearney, cada família brasileira (cerca de quatro pessoas) gastou, em média, US$ 600 com entretenimento em 2009. Ou seja, US$ 28,5 bilhões com ingressos de cinema, shows, eventos esportivos, entre outros. Por trás de toda essa indústria se esconde um outro negócio extremamente lucrativo: o de venda de ingressos. 

 

“Temos o cenário perfeito: economia aquecida, dólar baixo e um público fiel que compra, porque as oportunidades de ver artistas como esses eram raríssimas antigamente”, diz Eduardo Lulia Jacob, presidente da Ingresso Rápido, operadora de vendas de entradas para espetáculos.

 

Neste ano, a companhia foi responsável pela venda de nove milhões de ingressos e faturou cerca de  R$ 290 milhões. “Vamos crescer 55% em 2011”, diz Jacob. Para isso, entretanto, passará a oferecer outros serviços agregados, como transporte e hospedagem, tudo por meio de parcerias. 

 

“A venda de entradas pela internet não só facilitou a vida do cliente como atraiu público de diferentes Estados, que não precisam se deslocar para comprar os ingressos. Esse é o nosso foco”, afirma Jacob. 

 

Para se ter ideia do tamanho desse mercado, só a cidade de São Paulo contou com um público total de 4,5 milhões de pessoas nos shows que recebeu este ano, movimentando R$ 300 milhões em venda de ingressos. 

 

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Gigantes da música: ícones como Paul McCartney, U2, Eminem, Amy Winehouse, Bon Jovi, Lou Reed, Ozzy Osbourne

e Iron Maiden já deram ou darão suas caras no Brasil

 

A expectativa é que esse número suba para 5,4 milhões de pessoas em 2011. “O setor de entretenimento brasileiro deve ter um resultado ainda mais favorável em 2011, com número 25% maior de atrações internacionais”, afirma André Bertolucci, presidente da Smart, empresa que promove o controle de acessos a shows e espetáculos. 

 

Em 2010, a companhia faturou R$ 7,8 milhões, um crescimento de 75%. “Este é um setor que tem tudo para crescer ainda mais nos próximos anos com outras praças sendo inseridas nesse contexto, como a cidade de Porto Alegre e algumas capitais do Nordeste como Salvador e Recife”, afirma Otávio Ribeiro, professor do curso de gestão de entretenimento da ESPM. 

 

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Há, porém, uma questão crucial que pode fazer com que o número de apresentações caia drasticamente. Trata-se da falta de infraestrutura das empresas. Isso porque os espetáculos são trazidos para o Brasil por meio de contratos de exclusividade, tornando os consumidores reféns de uma única empresa para a compra de ingressos. 

 

Na segunda-feira 20, por exemplo, o Procon autuou a companhia Time For Fun por desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor durante a venda de ingressos para o show “U2 360° Tour”.  De acordo com o Procon, “a empresa deixou de prestar serviço adequado aos consumidores, que enfrentaram diversos problemas para adquirir os ingressos”. Motivo: falta de informações corretas e discriminação entre consumidores titulares e não titulares de determinadas bandeiras de cartão de crédito. 

 

Procurada, a Time For Fun preferiu não se manifestar sobre o assunto. “Essas companhias parecem estar mais preocupadas com a renda que com sua própria imagem”, afirma Augusto Nascimento, consultor de marcas da Business Branding Network (BBN) Brasil.