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Para onde vai o Santander?

O que a ida de Fábio Barbosa para o conselho de administração e a vinda de Marcial Portela para a presidência podem mudar na estratégia do banco 


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Barbosa: “Vou aprimorar a política de sustentabilidade e a governança corporativa do banco”

Pela primeira vez desde 1997, quando comprou seu primeiro banco no Brasil, o Santander será comandado por um executivo espanhol. A partir de janeiro, quem presidirá as operações será Marcial Portela, que hoje preside o conselho de administração do banco. 

Ele vai trocar de lugar com Fábio Barbosa, que deixa a presidência executiva. “Foi uma transição negociada há tempos. Meu objetivo a partir de agora será cuidar da estruturação de assuntos relevantes para o banco, como sustentabilidade e governança corporativa”, disse Barbosa à DINHEIRO. “É um movimento natural, depois de a maior parte da integração entre os bancos Real e Santander estar concluída.”

 

A mudança pode até ser natural, mas nem por isso deixou de surpreender o mercado. “É um movimento inesperado”, diz o consultor Erivelto Rodrigues, especialista no sistema financeiro. “Apesar de a fusão entre os dois bancos estar praticamente concluída, a figura do Fábio ainda é importante na manutenção da imagem do Santander.” 

 

Barbosa é considerado um fiador da bem-sucedida estratégia de marketing do extinto Banco Real, que baseava sua imagem em conceitos como diversidade e sustentabilidade. Quando os espanhóis compraram o Real há três anos, dez entre dez consultores apostavam que o Santander repetiria, na integração, a tática de terra devastada que havia sido empregada com o Banespa, comprado no ano 2000. 

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Portela, o sucessor: o primeiro espanhol na 
presidência do banco no Brasil desde 1997

A indicação de Barbosa para a presidência foi vista pelo mercado como uma garantia de que as culturas seriam fundidas, em vez de uma substituir a outra. Daí a surpresa da mudança de comando que, para mais de um especialista no mercado, deve indicar uma alteração na trajetória do Santander. “O banco deve ficar mais agressivo”, diz um analista do setor bancário. Barbosa diz que uma das metas para 2011 é aproveitar a sobra de caixa para reforçar a carteira de crédito, especialmente para as pequenas e médias empresas. 

 

Mesmo sendo o sexto maior banco em ativos, o Santander é o líder em patrimônio e tem caixa de sobra para emprestar. “A intenção da abertura de capital no ano passado foi reforçar a capacidade do banco emprestar”, diz ele. 

Barbosa – que já foi cotado para assumir o Banco Central na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006 – garante que a mudança de cargo não significa uma mudança de empregador, muito menos uma ida para o governo. “Vou me afastar das atividades do dia a dia, não do banco”, diz. A conferir.