Negócios

50 Empresas do Bem (1ª a 10ª)

Durante muito tempo, a questão da sustentabilidade foi observada como mais uma moda, uma tendência de mercado para agradar a consumidores e, dessa forma, alcançar os lucros. Para muitas empresas, funcionava mais ou menos como o efeito manada. O pensamento era: se o meu concorrente está fazendo alguma ação, tenho que segui-lo. Era só plantar uma árvore aqui, economizar água acolá, e algumas companhias já encampavam o termo. Com o crescimento da economia, a conscientização da população diante do aquecimento global e com o aumento da responsabilidade empresarial em relação aos problemas sociais, a sustentabilidade ganhou outro significado. Ela não é mais uma modinha. Hoje, é vista como questão de sobrevivência e seu significado pode ser traduzido em números. Mais: nenhuma empresa pensa em qualquer ação sustentável se isso afetar a sua saúde financeira. São conceitos que, definitivamente, andam juntos.

A Bovespa, por exemplo, possui o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que reúne empresas com práticas sustentáveis. Para entrar nesse seleto rol, é necessário cumprir uma rigorosa cartilha de requisitos. Mas vale a pena. Pertencer a esse grupo garante um volume maior de negociações dos papéis. Afinal, os fundos de investimento voltados a esse tipo de empresa possuem recursos estimados em R$ 1,5 bilhão. Para ajudar a compreensão dos verdadeiros conceitos de sustentabilidade, DINHEIRO selecionou 50 casos de sucesso no mundo empresarial. São projetos ambientais e sociais organizados e coordenados por grandes companhias para fazer com que seus funcionários trabalhem mais satisfeitos, para que as comunidades nas quais estão inseridas cresçam junto com a empresa e, obviamente, para que os clientes observem a marca com outros olhos. Afinal, sustentabilidade e lucro podem ? e devem ? caminhar de mãos dadas.

Quem são elas:

ABB * Accenture * AES * Alcoa * Amanco * Anglo American * Basf * Bradesco * British Airways * Cargill * Cepevil * Coelba * CSN * Dedini * Elektro * Embraer * ExxonMobil * General Motors do Brasil * Grupo Bimbo * GVT * Honda * HSBC * Hyundai Caoa * IndusParquet * Intelcav * Itaipu * Itaú * Lacoste * Renner * Maggi * Mercedes-Benz do Brasil * Mitsubishi * O Boticário * Perdigão * Petrobras * Peugeot * Redecard * Rhodia * Sabesp * Santander * Shell * SulAmérica * SustentaX * TAM * Tavex * Telefônica * TerraCycle * Usiminas * Vicunha Têxtil * Voith Turbo

Acompanhe também:

Entrevista em vídeo com Sérgio Mindlin, diretor-presidente da Fundação Telefônica do Brasil:

 Mindlin_2_255.jpg 

‘Voluntariado cria nova hierarquia’ – PARTE 1

 

 Mindlin_255.jpg

 

 

‘Ação voluntária em dia útil é boa estratégia’ – PARTE 2

 

1 ?O grande desafio dos próximos anos em todo o mundo e, em particular, no Brasil, é aumentar a eficiência energética, por questões ambientais e de custo.? Quem diz isso é Francisco Vieira, gerente de desenvolvimento de negócios na área de eficiência energética do grupo suíço ABB, e ele sabe muito bem traduzir isso em números. O ABB, que atua no setor de automação e potência, está produzindo motores usados na indústria que reduzem o consumo de energia em até 5%. Isso pode significar uma economia média de R$ 8 mil. Uma grande indústria, por exemplo, tem vários motores ? o que torna a economia bem atraente. O produto também vai ao encontro do planejamento energético do Brasil, que tem como meta a redução de 10% do consumo de energia elétrica até 2030. As concessionárias de energia são obrigadas por lei a gastar 0,5% do seu faturamento em programas do tipo. Isso representa pelo menos R$ 350 milhões disponíveis anualmente. Além disso, o BNDES tem uma linha de crédito específica para esses projetos. Com o crescimento econômico, produzir mais, mas de forma sustentável, será um trunfo para as empresas.
 

44.jpg
 
 

2 Unir o universo corporativo com as causas sociais. Este é o objetivo da consultoria Accenture com o projeto Conexão. A iniciativa, que está sendo chamada de a primeira joint venture social do Brasil, atua na formação e na capacitação profissional de jovens carentes e também no desenvolvimento de micro e pequenas empresas. O programa é realizado juntamente com o Comitê para a Democratização da Informática (CDI) e a Rede Cidadã. A meta é capacitar 12 mil jovens e oferecer apoio a 150 projetos de empreendedorismo. Até o momento, 11,9 mil jovens passaram pelo programa. Mais de três mil pessoas foram contratadas formalmente por 243 empresas, sendo que 80% delas permanecem trabalhando após o período de um ano. São vários os cursos oferecidos: secretariado, assistente de administração e operador de telemarketing. O projeto também fornece orientação profissional. Mais de uma centena de pequenos empresários utilizou, sem custos, os serviços da consultoria. ?É uma maneira de levarmos conceitos de administração que só estavam presentes em grandes companhias para uma escala menor, mas com resultados ainda mais expressivos?, afirma Enrique Soto, líder de sustentabilidade corporativa da Accenture. A empresa ajuda na gestão do caixa, em contas a pagar e a receber e recursos humanos, deixando os empresários, como sapateiros, alfaiates e costureiras, focados apenas em suas atividades.
 

43.jpg
 
  

3 A vida útil de uma usina hidrelétrica está diretamente ligada à preservação das margens do reservatório que movimenta suas turbinas. Com isso em mente e uma boa dose de consciência ambiental, a concessionária AES investiu dois anos e meio em pesquisas para desenvolver a única metodologia do mundo de recuperação de matas ciliares financiada por créditos de carbono. ?Deu tão certo que nosso projeto foi aprovado pela ONU, está em domínio público e pode ser aproveitado por todos?, diz Demóstenes Barbosa, diretor de sustentabilidade da AES Brasil. Hoje, a empresa promove o reflorestamento de 5,7 mil quilômetros lineares de mata nativa nas margens dos reservatórios de dez usinas nos rios Tietê, Pardo e Grande, na divisa entre os Estados de São Paulo e Minas Gerais. Ao todo, serão 13 mil hectares revitalizados, dos quais 2,8 mil já foram plantados. O ganho imediato é estancar o assoreamento dos lagos e a preservação da biodiversidade. A nova vegetação resultará, segundo a AES, na captura de 400 mil toneladas de gás carbônico da atmosfera, até o fim de 2010. Negociados no mercado internacional de crédito de carbono, esse volume será o suficiente para bancar os R$ 100 milhões em investimentos previstos para o projeto.
 

42.jpg
 
 

4 Em 2006, quando o comando da Alcoa decidiu explorar minério de bauxita no pequeno município de Juruti, no oeste do Pará, em 2006, a companhia percebeu que não havia como prosperar com o negócio em uma região carente. ?Era preciso fazer com que a economia da cidade avançasse junto com a atuação da empresa na região?, conta Fábio Abdala, gerente de sustentabilidade da Alcoa para a América Latina e Caribe. Em parceria com o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, o Funbio, a Alcoa passou a selecionar projetos elaborados por organizações da sociedade civil que promovessem o desenvolvimento sustentável de Juruti. Dos diversos programas apresentados, 21 foram selecionados para serem colocados em prática. Para isso, a companhia destinará R$ 480 mil e a Alcoa Foundation, R$ 50 mil. ?Criamos o Conselho do Fundo Juruti Sustentável, um colegiado independente, para delegar a prioridade dos projetos que serão beneficiados pela iniciativa?, afirma Abdala. Lançado em caráter piloto em maio de 2009, o Fundo conta com iniciativas voltadas para a melhoria da educação, saúde e bem-estar dos habitantes.
 

40.jpg
  
 

5 Em 2001, a Amanco, especializada em produzir tubos, conexões e acessórios sanitários, decidiu inovar. Daquele ano em diante a empresa adotaria um conceito que batizou de triplo resultado. Por meio dele, além do saldo econômico, a empresa passou a medir os impactos ambientais e sociais de sua atividade. O passo seguinte foi criar indicadores de ecoeficiência, medida a partir do gasto de água, do consumo de energia e dos desperdícios no processo industrial. Com isso, a média de consumo de água por tonelada de tubos e conexões produzidos caiu de 1.070 litros para 230 litros. A fábrica de Suape, uma dentre as quatro que a Amanco possui, inaugurada em 2005 no Estado de Pernambuco, é modelo de eficiência ao consumir menos de 20 litros de água por tonelada produzida. ?Essa é nossa ideia de sustentabilidade: desenvolver ações conectadas com nossa estratégia empresarial, mantendo a qualidade de nossos produtos e ainda produzindo baixo impacto no ambiente?, aponta Regina Zimmermann, diretora industrial da Amanco. Ser sustentável também se mostrou economicamente vantajoso. A empresa estima que, desde que iniciou a mudança dos procedimentos em suas plantas, tenha economizado cerca de US$ 40 milhões. As medidas também agradaram ao grupo Mexichem, do México, que, ao adquirir o controle da Amanco em 2007, decidiu não interferir nos processos. Só em 2008 a empresa faturou R$ 623 milhões e comercializou 103 mil toneladas de tubos e conexões. A ideia agora é aplicar a sustentabilidade em novas aquisições.
 

46.jpg

  

6 A mineradora Anglo American tem utilizado uma floresta de eucalipto de 12 mil hectares em Niquelândia, Goiás, para gerar energia usada na extração de níquel e, desta maneira, reduzir suas emissões de carbono. Como funciona? Em vez de usar carvão, a companhia utiliza cavacos de madeira para alimentar seus fornos. Considerada bem-sucedida, a iniciativa tem sete anos e será replicada em uma nova planta industrial da companhia, localizada em Barro Alto, também em Goiás, prevista para ser inaugurada em 2011. A energia que vem da floresta garante o funcionamento de um terço das operações. ?Nem todos os projetos vão ter estas matrizes. Mas é nosso compromisso reduzir a emissão de carbono sempre que possível?, diz a gerente corporativa de desenvolvimento sustentável para a unidade níquel do Brasil e Venezuela da Anglo American, Juliana Rehfeld. Detalhe: tudo é replantado. Usinas hidrelétricas garantem a outra parte da geração de energia limpa. Com isso, até 2014, a mineradora pretende reduzir globalmente suas emissões em 10%. ?Trabalhamos dentro das políticas globais previstas no Tratado de Kyoto?, afirma Juliana.
 

47.jpg
 

 

7 A subsidiária da alemã Basf, fabricante de produtos químicos, para a área de defensivos agrícolas quer acabar de uma vez por todas com a imagem de empresa poluidora ? uma fama muito comum entre as companhias do setor. Para isso, desenvolveu uma ferramenta que auxilia seus clientes a medir o nível de sustentabilidade de suas lavouras, levando em consideração aspectos econômicos, sociais e ambientais durante todo o processo produtivo. O SEEbalance, como é conhecido esse programa, foi testado junto a produtores de cana-de-açúcar de Alagoas durante todo o ano de 2009 e o resultado, segundo a empresa, mostrou-se totalmente satisfatório. ?A experiência foi um sucesso, tanto que estamos dando sequência em 2010?, diz Sonia Chapman, diretora-presidente da Fundação Espaço ECO, da Basf. A ferramenta visa ajudar os produtores a usar os defensivos agrícolas na quantidade ideal para que a produção não caia e, ao mesmo tempo, para que o solo não seja contaminado. ?Uma coisa é querer ser sustentável, outra é ter processos e mecanismos para isso. Hoje nós temos uma ferramenta eficiente à disposição de nossos clientes?, completa Sonia.
 

45.jpg
 

8 Como ampliar por cinco o alcance da Fundação Bradesco, que leva educação básica e profissionalizante a 111 mil alunos em 40 escolas espalhadas pelo País? A entidade conseguiu essa proeza por meio do ensino a distância. O uso de computadores e da internet permitirá o alcance a mais 450 mil alunos remotos em 2010, prevê Nivaldo Tadeu Marcusso, diretor-superintendente da Fundação Bradesco. Somente no ano passado, foram realizados mais de 323 mil atendimentos, a maioria pelo portal de e-learning Escola Virtual (www.escolavirtual.org.br). ?Com a educação a distância, conseguimos ir além dos muros de nossas escolas e chegar a comunidades carentes em 40% dos municípios brasileiros?, afirma o executivo. O milagre da multiplicação funciona, mas também tem seus limites. Como levar o ensino remoto a pessoas carentes, que não têm computador em casa, muito menos acesso à internet? A solução foi a abertura de Centros de Inclusão Digital-CID (foto), com a doação de computadores e sistemas para associações, igrejas, centros sociais e bibliotecas municipais. No ano passado, a Fundação Bradesco abriu oito novos CID, elevando para 110 os endereços físicos para onde os jovens e adultos carentes podem ir para ter acesso aos 201 cursos a distância e semipresenciais na área de tecnologia da informação, inclusive para formação de professores e orientadores pedagógicos.
 

 48.jpg
 

9 O lixo que polui as ruas de Londres e de outras cidades britânicas vai se transformar em combustível para aviação a partir de 2014. O projeto, anunciado em fevereiro de 2010, será resultante da parceria do Grupo Solena com a British Airways. Se tudo der certo, a ideia é abastecer todas as aeronaves que operam no City Airport, na capital inglesa, com essa mistura. A primeira fábrica da Europa com tal finalidade converterá 500 mil toneladas de resíduos em 16 milhões de tanques de combustível verde anualmente. O processo, segundo a companhia, reduzirá o volume produzido de metano ? gás que provoca o efeito estufa mais potente que o dióxido de carbono ? em até 95%, em comparação com os combustíveis fósseis. A companhia assinou uma carta de intenções para comprar todo o combustível produzido pela usina, que será construída pelo Solena no leste de Londres. O presidente da British, Willie Walsh, afirmou na ocasião do anúncio que a parceria abrirá caminho para concretizar o objetivo da empresa de reduzir emissões líquidas de carbono em 50% até 2050. ?Acreditamos que o processo levará à produção de uma verdadeira alternativa sustentável. Estamos determinados a reduzir o nosso impacto sobre a mudança climática?, disse.
 

41.jpg
 
 

10 Poucas matérias-primas são tão presentes no dia a dia das pessoas como o plástico. Entre garrafas Pet, canos de PVC, embalagens e peças automotivas, o Brasil consome cerca de 5,14 milhões de toneladas por ano. Algo que movimenta mais de R$ 40 bilhões, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). Mas, se o produto é essencial para a economia, nos últimos anos ele vem se transformando em um dos grandes vilões do meio ambiente. Por ser derivado do petróleo, ele gera uma alta quantidade de gases poluentes em sua produção e pode demorar centenas de anos para se decompor. De olho nisso, a americana Cargill, uma das maiores empresas agrícolas do mundo, acena com uma tecnologia que pode ser a solução da lavoura ? ou melhor ? do meio ambiente. O produto se chama Ingeo, mas já se popularizou como ?plástico verde?.  Trata-se de um bioplástico produzido a partir do amido do milho, cujo impacto ambiental é muito menor. De acordo com a empresa, se comparado aos materiais tradicionais, o Ingeo pode reduzir em 75% as emissões de CO2, além de utilizar até 56% menos combustível em sua produção. ?Comparado a outras matérias-primas como o náilon, as emissões chegam a ser dez vezes menores?, afirma Walcinir Neto, gerente de produtos da Unidade de Negócio Amidos e Adoçantes da Cargill. ?É um material que pode substituir qualquer resina e se decompõe em apenas quatro anos?, explica. ?Por isso, acreditamos que, em matéria de eficiência de emissões, o futuro já chegou.?
 

39.jpg

 

 

Confira as demais empresas do especial:

> 50 Empresas do Bem (11ª a 20ª)

> 50 Empresas do Bem (21ª a 30ª)

> 50 Empresas do Bem (31ª a 40ª)

> 50 Empresas do Bem (41ª a 50ª)