Negócios

Webjet à procura de um comprador

Na aviação, ou se ganha bastante dinheiro ou se perde muito. A frase, famosa entre as pessoas que trabalham no setor, se encaixa à perfeição no caso da WebJet. Fundada em 2005 por um grupo de empresários cariocas, a companhia acostumou-se com o vermelho em seus balanços.

Em apenas um ano de funcionamento, já acumulava dívidas de R$ 6 milhões, que fizeram os donos desistir do negócio. Comprada depois por Jacob Barata Filho, chefe de um clã familiar que controla 60 companhias, ela continuou torrando milhões. Em 2007, foi a vez de Guilherme Paulus, dono da CVC, assumir o risco. Parecia que a WebJet teria um futuro melhor.
 

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?Não sei por que aparecem notícias idiotas sobre a venda da WebJet” Guilherme Paulus, dono da WEBJET

 

Afinal, Paulus era o rei do turismo popular no Brasil e nada melhor do que uma companhia aérea para alavancar seus negócios. Mas a suposição estava errada. Afundada em dívidas que estão na casa dos R$ 200 milhões e com perdas mensais de R$ 10 milhões, a WebJet se tornou um mico. ?Atualmente, a WebJet é uma hemorragia de dinheiro?, diz um vice-presidente de uma grande companhia aérea.

Nas últimas semanas, intensificaram-se os rumores sobre a venda da empresa, algo que Paulus nega com veemência. ?Não sei por que continuam aparecendo notícias idiotas a esse respeito. Quando eu estiver vendendo a WebJet, aviso o mercado?, afirmou ele à DINHEIRO.
 

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Frota velha: a idade média dos Boeings 737-300 da WebJet é de 17 anos, o triplo do índice de Gol e TAM

 

Um dos sintomas das dificuldades enfrentadas pela WebJet apareceu há 15 dias. Wagner Ferreira, presidente da empresa desde o início de 2009, deixou o cargo e foi substituído por Julio Perotti, que era vice-presidente da aérea. Os problemas da WebJet começam por sua frota, formada por 20 Boeings 737-300 com idade média de 17 anos ? é o triplo do índice da Gol e da TAM.

Aviões antigos representam custos de manutenção maiores.  Além disso, os aparelhos vieram de dez companhias aéreas diferentes. Essa falta de padronização também acaba contribuindo para elevar os gastos com a manutenção das aeronaves. Para concorrer com a TAM e a Gol, a WebJet precisa oferecer tarifas baixas e bancar uma agressiva política de parcelamento de passagens.

Como fazer isso se seus custos são altos demais? ?A WebJet, como várias empresas de pequeno porte, tem dificuldade em passar de um determinado patamar de crescimento?, afirma o presidente da Gol, Constantino Júnior.

Há duas semanas, circulou uma notícia sobre uma negociação envolvendo a Gol e a WebJet. A Gol teria inclusive contratado uma auditoria para avaliar a situação financeira da WebJet, o que Constantino nega. Em novembro, Paulus manteve contato com outra empresa, a irlandesa ?low cost, low fare? (baixo custo, baixa tarifa) Ryanair.

Executivos da companhia aérea estiveram no Brasil e chegaram a conversar com Paulus, mas teriam desistido depois de saber da limitação de 20% de capital estrangeiro em empresas aéreas nacionais. O interesse despertado pela WebJet está nos 159 ?slots? (espaços e horários para pousos e decolagens) que possui no saturado aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, o mais movimentado do Brasil.

?Com a previsão de um crescimento de mais 10% da demanda doméstica neste ano, ficará ainda mais difícil para as companhias aéreas conseguirem autorizações para operar em aeroportos de São Paulo, o mercado mais rentável do País?, aponta o consultor especializado no setor aéreo Paulo Bittencourt Sampaio. Por enquanto, isso não foi suficiente para atrair compradores.