Negócios

O dilema de Malzoni

Aplaca “Vende-se” ainda não foi afixada na fachada do Shopping West Plaza, um dos maiores centros de compra da zona oeste paulistana. No entanto, não é segredo que seu controlador, o empresário Paulo Malzoni, pretende passar adiante o empreendimento. “Estou de ouvidos abertos para receber boas propostas”, confidenciou a interlocutores.

Oficialmente, ele nega. “Não sou vendedor. Sou comprador”, disse por meio de sua assessoria de imprensa. Uma prova disso, diz ele, é a decisão de triplicar, para R$ 92 milhões, o investimento na modernização do prédio. Negativas à parte, é certo que o investidor está num momento delicado de sua longa trajetória no varejo, iniciada nos anos 70. Seu apogeu ocorreu na década seguinte, quando, associado à holandesa Vendex, comandou um dos maiores grupos comerciais do País, com ícones como Sears, Ultralar, Ultracred, Dillard’s,

Bob’s e Drogasil. Alguns fracassaram – a Dillard’s durou cerca de dois anos. Os outros foram passados à frente. Em 1989, Malzoni usou a verba amealhada com a venda desses negócios para entrar na área de shopping. O primeiro deles foi o Paulista e hoje seu portfólio inclui ainda o Pátio Higienópolis, West Plaza e Botafogo Shopping, que movimentam cerca de R$ 120 milhões em aluguel por ano.

Num primeiro momento, ele se tornou um dos principais participantes desse mercado. Com o tempo, porém, ficou pequeno para o tamanho do jogo. Hoje, o setor agrupa gigantes como o BR Malls (leia-se GP) e o Multiplan. Só este último fatura mais do que o dobro da receita do Grupo Malzoni. Com isso, só resta ao empresário reinventar o modelo de negócio. Por isso, a venda do West Plaza faz sentido. Seria uma forma de engordar rapidamente o caixa da companhia. O primeiro movimento de desmobilização de ativos ocorreu em novembro de 2005, quando Malzoni repassou, por R$ 19,1 milhões, sua fatia de 20% no Plaza Sul ao grupo português Sonae Sierra. A venda do West Plaza é quase uma necessidade. Ao abrir mão do negócio agora, ele se aproveitaria do momento de consolidação do setor. Mais: evitaria uma futura desvalorização do ativo, com a chegada do clã gaúcho Zaffari que, em fevereiro, inaugura o Bourbon Shopping Pompéia, a 300 metros do West Plaza.

Capitalizado, Malzoni poderá concentrar o foco da operação em ativos mais bem posicionados (os shoppings Paulista e Pátio Higienópolis) e caçar novas oportunidades. “As administradoras de médio porte terão de buscar qualificação para continuar nesse mercado”, opina José Olympio Pereira, diretor do banco Credit Suisse. Quem quiser sobreviver e ganhar dinheiro nesse setor terá de partir para novos investimentos, completa Sergio Molina, da DMV Comunicações, empresa de serviços do setor. Há outra mudança no perfil desses empreendimentos. “Estamos ingressando na era do shopping multiuso, que reúne uma grande oferta de serviços e um bom mix de lojas”, opina Marcos Gouvêa de Souza, sócio da GS&MD. Não foi por outro motivo que Malzoni comprou diversos imóveis no entorno do Pátio Higienópolis. O principal deles é um casarão que será transformado em centro cultural. O Shopping Paulista também terá investimentos na área de vendas e lazer, que consumirão R$ 35 milhões. Outra carta na manga de Malzoni é o Shopping Vila Olímpia, voltado para a classe B e lançado recentemente em parceria com a Multiplan. Essas movimentações de Malzoni são o passo inicial para viabilizar uma possível abertura de capital da empresa, atualmente em estudo. Essa iniciativa, no entanto, pode não render os frutos esperados, caso a crise de crédito imobiliário nos EUA afugente novos investidores por aqui. Pelo jeito, Malzoni vai pagar para ver.

TRAJETÓRIA DE ALTOS E BAIXOS
Império construído em parceria com o grupo holandês Vendex incluía diversos ícones do varejo

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