Negócios

Pernambucanas se rende ao comércio eletrônico


Em 2008, as Casas Pernambucanas irão completar 100 anos de varejo. É um feito histórico alcançado por poucas empresas brasileiras. Mas para a veterana rede, há uma data mais esperada e tão importante quanto a do centenário: a da estréia do novo site de vendas das Pernambucanas. A idéia era inaugurar o novo portal agora, para aproveitar o movimento do Dia das Mães, em maio. Entretanto, o site só estará ao dispor dos internautas em junho, pois o projeto não foi finalizado a tempo. Procurados, executivos da Pernambucanas não quiseram dar entrevista para detalhar a operação on line. Mas DINHEIRO apurou com fontes internas da rede que a meta é colocar no site, além dos artigos para cama, confecção e aparelhos eletrônicos que os clientes já encontram nas lojas, produtos mais sofisticados, como geladeiras de inox e TV’s de plasma. O investimento, a Pernambucanas não divulga. Mas no mercado, o cálculo aponta para, no mínimo, R$ 100 milhões. O bastante para fazer frente aos maiores sites do setor: Submarino e Americanas.com.

A Pernambucanas, fundada em 1908 pelos irmãos Lundgren, foi pioneira ao trabalhar com preços fixos (no início do século passado, o costume era barganhar) e ao lançar marcas próprias. Para entrar na internet, no entanto, parece ter se atrasado em relação aos concorrentes. “Se quer atingir o público mais acostumado ao comércio virtual, ela demorou para entrar na web”, diz o consultor Luiz Freitas. Mas se o foco for um consumidor mais popular, a espera teve suas razões. “Só agora esse público domina a Internet”, diz Freitas. Vale lembrar que um dos objetivos da rede é vender, no site, itens como TV de plasma. Ou seja, fisgar um público que não vai às suas lojas.

De qualquer forma, a Pernambucanas está dando um passo certeiro, segundo Cid Torquato, presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico. O comércio on-line de bens de consumo movimentou R$ 2,9 bilhões no Brasil em 2005 e a expectativa para 2006 é chegar aos R$ 4,5 bilhões. “As principais redes de varejo têm site de vendas e, para elas, o portal é a maior loja em faturamento”, diz Torquato. O MagazineLuiza.com, por exemplo, responde por 11% das vendas de R$ 1,9 bilhão do Magazine Luiza, que tem 350 lojas.

Para as Casas Pernambucanas, as vendas pela internet podem significar o impulso que a companhia precisava para voltar crescer. A rede, que pertence aos descendentes de Arthur Lundgren, um dos fundadores, faturou R$ 2,8 bilhões no ano passado. As 238 lojas apresentaram lucro de R$ 51,2 milhões – o mesmo de 2004. Além da estagnação financeira, a rede ainda enfrenta fantasmas do passado, como um processo movido há 44 anos pelos descendentes do outro fundador Frederico Lundgren (irmão de Arthur). O fértil empreendedor teve 22 filhos, que entraram na Justiça para ter direito a parte do dinheiro proveniente da liquidação dos bens do pai. Hoje, só seis deles estão vivos, mas os netos prosseguem com a ação. Em 2004, a Justiça de Pernambuco deu a eles ganho de causa. Mas para saber quanto cada um irá receber, é preciso fazer uma perícia que custará R$ 100 mil. Até agora, os descendentes dos Lundgren conseguiram juntar R$ 50 mil. A saga da família continua.