Negócios

Meu trabalho é exportar


Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio: no ano passado, 1.069 empresas brasileiras desistiram de exportar. Dentre os motivos que tiraram do comércio internacional essas companhias (que exportavam até US$ 100 mil ao ano), estão dificuldades como burocracia, o dólar alto ? que torna os produtos brasileiros mais caros lá fora ? e a falta de experiência na negociação com o exterior. Essa última, de acordo com secretário de Comércio Exterior do ministério, Armando , foi a razão mais apontada por 75% das exportadoras como o principal entrave. Para muitos empresários, exportar é algo tão árido e difícil quanto falar chinês. Mas não é isso que pensa Ana Carolina Wigand, uma carioca de 29 anos, formada em Administração de Empresas, mãe de Antonia, uma menina de seis anos, casada com Ricardo Terra, fazendeiro. Embora o perfil pareça não ter nada a ver com uma mulher de negócios, Ana Carolina tornou-se especialista em exportações. Antes de se formar, foi para Londres estudar Comércio Exterior na Câmara de Comércio e Indústria. Voltou, e, durante o MBA Executivo que cursou no Instituto de Pós-graduação e Pesquisa em Administração (COPPEAD) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, teve a idéia de fundar a Wtrade Brasil, uma consultoria especializada em desenvolver empresas e produtos para exportação.

Apesar de ter apenas três anos de mercado, a Wtrade Brasil já coleciona casos interessantes. Um deles é o da Makrofarma Phitoterápicos. A empresa exportava cápsulas de guaraná para redes varejistas do exterior, mas sofria com o aumento do dólar. “Quem exporta, não pode ficar na dependência só do dólar. Não há como ser atrativo só pelo preço. A saída é agregar valor ao produto, para que ele se torne atraente”, diz Ana Carolina. Pensando assim, a Wtrade Brasil, e a Makrofarma, reformularam duas linhas de produtos, sempre de olho no mercado exterior. Criaram a bebida energética Xavante e a linha de produtos a base de guaraná, Kayapo. “Ligando o produto, que tem a ver com a Amazônia, à figura de tribos indígenas, o artigo ganha o que a gente chama de ‘marca Brasil’ – que é uma diferenciação que desperta muito a atenção do estrangeiro. Ele fica curioso para conhecer um produto que tem a ver com o País”, diz Ana Carolina. Os resultados, segundo ela, foram imediatos. Distribuidores americanos já estão interessados em comprar o produto e – desta vez – o câmbio não irá influenciar no negócio.

Outra boa investida da empresa, que não revela faturamento ou volume de negócios fechados, foi a criação de uma marca própria de sapatos. “Quando viajo para o exterior, é fácil verificar: há muitas marcas famosas de calçados que produzem aqui. O design é italiano, mas o sapato é ‘made in Brasil'”, conta a empresária. O grosso do lucro, na verdade, fica com os europeus. Pensando em se aproveitar disso, ela criou uma marca de sapatos exclusiva para exportação, chamada Principesca. “O design é nosso e a fabricação também. Só o nome é italiano”, conta ela, que encomendou os desenhos e terceirizou a produção. A primeira remessa deve embarcar nos próximos meses para os Estados Unidos. Outros pares devem seguir para o Reino Unido, França, Alemanha e Itália. Prova de que falta de experiência, não é desculpa para não exportar.