Negócios

Caça aos superexecutivos

 

 

Há um movimento incomum no topo da pirâmide corporativa brasileira. Grandes empresas estão promovendo uma dança de cadeiras que chama a atenção por dois motivos: os nomes e posições estrelados dos executivos envolvidos e o curto espaço de tempo em que as mudanças se concentram. Duas semanas atrás, a Philips anunciou a contratação de Paulo Zottolo, que depois de levantar a Nívea no Brasil, comandava a operação americana da gigante dos cosméticos. Logo em seguida, surpresa maior. Antonio Maciel Neto, o homem que devolveu o azul ao balanço da Ford na América do Sul, está de malas prontas para chegar à Suzano. Voltando nem um ano no calendário, há outros três exemplos. Roberto Lima trocou a Credicard pela Vivo; Cássio Casseb, ex-Banco do Brasil e Coinbra foi para o Pão de Açúcar; e Amalia Sina deixou a Walita rumo à Philip Morris.

 

Mas o que parece simples coincidência revela, na verdade, um novo momento do ambiente de negócios nacional. Com conselhos de administração mais maduros e profissionais, as empresas anseiam por resultados rápidos e garantidos. Por isso, muitas delas estão deixando de promover suas pratas da casa para contratar no mercado profissionais já testados e aprovados. E essa dança de cadeiras de executivos não é brincadeira de criança. Quase sempre envolve temas adultos: sedução, charme, segredo, família, meses de namoro ? e cifras milionárias. Segundo consultores em seleção de executivos, a remuneração desse time de primeira formado por Zottolo, Maciel, Lima, Casseb e Amalia pode oscilar entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões por ano. Normalmente, são cerca de R$ 100 mil fixos por mês e mais bônus por resultados alcançados que podem chegar a incríveis 24 salários por ano ? fora benefícios. DINHEIRO saiu em busca das razões das recentes trocas de emprego desses cinco superexecutivos. Afinal, o que as empresas querem deles? O que os move? Quanto eles valem?

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R$ 2 milhões por ano será o salário anual do novo presidente da Philips

PAULO ZOTTOLO, O JOGADOR INTUITIVO
De onde para onde: da Nivea para a Philips

O homem que fez a Nivea Brasil crescer 16 vezes em dez anos, é o tipo que Philips buscava para dar seqüência ao plano de rejuvenescimento de sua imagem: criativo, ousado e intuitivo. Foi assim que Paulo Zottolo colocou a Nivea na liderança de hidratantes e cremes faciais. Ele contrariou a matriz, que não usava estrelas em sua publicidade, e contratou a top Gisele Bündchen como garota propaganda. A ?desobediência? deu certo porque Zottolo sabia qual era o desejo do consumidor ? ouviu a própria empregada doméstica sobre o assunto. Esse alinhamento com o público chamou a atenção da Philips. A empresa viu nele a pessoa que casaria perfeitamente com seu novo lema: desenvolver o que o cliente quer, com coragem para contrariar uma ou outra verdade absoluta da marca se for preciso. Em contrapartida, o que animou Zottolo foi o desafio de dirigir uma companhia quase dez vezes maior, com faturamento de R$ 4,7 bilhões no Brasil. Seu salário no novo emprego está estimado em R$ 2 milhões por ano. ?Ele vale tudo isso porque entrega o que promete?, diz Márcio Martins, da Allieh Coaching e Gestão Empresarial. ? Lílian Cunha

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US$ 1,3 bilhão é o tamanho do projeto que o espera na Suzano

ANTONIO MACIEL, FERA DOS SUPERPROJETOS
De onde para onde: da Ford para a Suzano

 

O executivo de 48 anos que pegou a Ford, em 1999, com prejuízos de US$ 670 milhões na América do Sul está saindo com lucro de US$ 389 milhões em 2005. ?O Maciel diz que para ter um desafio tão grande de novo na Ford precisaria ir dirigir uma filial na Europa. Mas ele prefere ficar com a família no Brasil?, conta um interlocutor. Maciel gosta de se definir como ?realizador?. E talvez essa tenha sido a primeira característica que despertou o interesse da Suzano (e da TAM e do Pão de Açúcar, que também queriam o seu passe). A companhia está concluindo uma nova usina orçada em US$ 1,3 bilhão, que a fará dobrar de tamanho e se tornar a segunda maior do mundo no setor. Maciel chega para pilotar esse jumbo. Na Ford, ele levantou do nada a fábrica de Camaçari (BA) com investimento parecido: US$ 1,2 bilhão. ?Além de trazer resultados, o Maciel é bom de marketing, carisma e relacionamento com os clientes?, diz um headhunter. Na Suzano, essas qualidades serão bem-vindas. Afinal, Maciel vai precisar vender o 1 milhão de toneladas de celulose a mais que a empresa vai produzir a partir de 2007. No mercado, diz-se que parte de sua remuneração estará ligada ao valor das ações da Suzano. ? Christian C. Cruz

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Satisfazer 30 milhões de clientes é a meta do comandante da Vivo

ROBERTO LIMA, O OBCECADO POR QUALIDADE
De onde para onde: da Credicard para a Vivo

 

Um dos principais desafios de Roberto Lima quando assumiu o comando da Credicard, em 1999, era o de recuperar a imagem da empresa junto ao consumidor. O índice de aprovação do serviço estava minguando. Ele implantou um programa de qualidade rígido e deixou a empresa seis anos depois com a aceitação do público batendo nos 85%. A Vivo decidiu chamá-lo há nove meses para fazer o mesmo na empresa de telefonia celular, que carrega o incômodo título de vice-líder no ranking de reclamações no Procon. Não foi só isso. Durante a sua gestão na Credicard, Lima dobrou o número de cartões de crédito para 7 milhões de unidades e manteve a empresa na liderança do mercado. ?Quero a Vivo com melhor rentabilidade?, diz. Lima é especialista no que o mercado chama de ?rentabilizar o cliente?, ou seja, fazer cada usuário dar mais dinheiro à companhia. E a Vivo, cuja enorme clientela de usuários pré-pagos enterra a rentabilidade, precisa disso. ?A Vivo é um desafio profissional enorme e dá notoriedade ao executivo?, diz Guilherme Velloso, consultor da PMC, Amrop Hever. ? Denise Ramiro

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15% é a fatia de mercado da Philip Morris. Sua meta é lançar marcas e elevar esse número

AMALIA SINA, A REFORMADORA DE MARCAS
De onde para onde: da Walita para a Philip Morris

 

A executiva de 41 anos é uma mulher vistosa. Mas não é esse o atributo que a torna desejada pelas grandes companhias. Sua maior virtude é a habilidade de reformular marcas que precisam de foco. Prova disso foi sua atuação como presidente da Walita. Contratada em 2001, Amalia promoveu um crescimento de 16% em 2002 e 10% em 2003. No mesmo período, o mercado de eletroportáteis no Brasil caiu 10%. ?Os executivos anteriores eram focados em distribuição. Ela, em entregar o que as consumidoras aspiravam?, conta Winston Pegler, presidente da Ray & Berndston, responsável pela contratação da executiva na época. Na Philip Morris, sua tarefa será aumentar a participação de mercado da empresa, que atualmente é de 15% e muito centrada no Marlboro. A tarimba com marcas credenciou Amalia para comandar uma assumida intenção da Philip Morris de expandir seu portifólio no Brasil. ? Flávia Tavares

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2% é a atual rentabilidade do Pão de Açúcar que ele terá que aumentar

CÁSSIO CASSEB, O BANQUEIRO NO VAREJO
De onde para onde: da Coinbra para o Pão de Açúcar

 

Cássio Casseb, de 49 anos, é um engenheiro com currículo de banqueiro. Trabalhou no BankBoston, no Citibank e na Credicard. No Banco do Brasil, em menos de dois anos, elevou a carteira de clientes de 14 para 21 milhões e conquistou lucro recorde de R$ 2,38 bilhões (em 2003). Atributos mais que suficientes para que Abílio Diniz o convidasse para ocupar a presidência do Pão de Açúcar. O grupo tem hoje mais carência na área financeira que na sua face varejista. Então nada melhor que um banqueiro para comandar as operações. No período 2000-2005, o faturamento do Pão de Açúcar saltou de R$ 9 bilhões para R$ 16,1 bilhões. Mas a rentabilidade se manteve na casa de 2%. Casseb tocará um programa de redução de despesas, fechando ?ralos? que causam perdas anuais estimadas em R$ 200 milhões. O Pão de Açúcar também buscou em Casseb duas outras características: capacidade gerencial e visão estratégica. ?Ele tem talento para formar times competentes e trabalhar em equipe?, opina o consultor em recursos humanos Simon Franco. Casseb se define como um executivo camaleônico, que se adapta ao estilo de corporações de qualquer setor. ? Rosenildo Gomes Ferreira

Seja como eles
O que você pode fazer para ser cobiçado pelas grandes corporações

TENHA VISIBILIDADE. Mostre os resultados
conquistados a amigos e conhecidos, em relatórios anuais,
em eventos do seu setor e na mídia.

ENVOLVA-SE COM OS DETALHES. Não basta ficar só no planejamento
e na coordenação. O alto poder de execução demonstra
que você tem controle da situação.

MOSTRE VISÃO ESTRATÉGICA. Não se deixe levar
apenas pelo dia-a-dia. Olhe também para frente.

SEJA CAPAZ DE MUDAR. Atualize-se e esteja em
constante processo de evolução.

INFLUENCIE AS PESSOAS Um líder inspirador, além
de admirado pelos funcionários, é (bem) comentado por eles.

 

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