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Agrale sai da lama


Marruá é um tipo de boi do Pantanal, conhecido pela bravura. É também o nome de batismo da linha de jipes que a brasileira Agrale vai colocar no mercado até o final do ano. Esse legítimo off road, dotado de tração 4X4 e motor turbodiesel de 2,8 litros, chega com a ambição de enfrentar a brasileira Troller e a britânica Land Rover. O principal atrativo do Marruá será o preço: entre R$ 80 mil e R$ 100 mil, cerca de 10% abaixo do cobrado pelos concorrentes. Para colocar o veículo nas ruas, a direção da Agrale está investindo R$ 8 milhões. O montante será gasto em modificações no projeto do utilitário, criado originalmente para o segmento militar. A Agrale também negocia a colocação das duas versões no mercado externo.

Mais que um carro, o ?boi bravo? simboliza um novo capítulo na reestruturação da companhia. Na década de 90, ela esteve à beira da falência. O problema foi causado pela excessiva dependência da divisão de tratores, que gerava 70% de seu faturamento. ?A crise na agricultura quase nos derrubou?, recorda Hugo Zattera, diretor da Agrale. Genro do fundador Francisco (Chico) Stédile, coube ao executivo comandar a mudança na trajetória da companhia. Para zerar as dívidas, ele vendeu a controlada Fras-le, de autopeças. Em seguida, diversificou o portfólio. Hoje, da fábrica situada em Caxias do Sul (RS) saem chassis para microônibus, caminhões, motores e tratores leves. Os tratores respondem por apenas 25% da receita.

Mas apesar de as vendas de 2005 terem batido na casa dos R$ 400 milhões, número quatro vezes maior que o apurado em 2000, a trilha percorrida pela Agrale continua sinuosa. No ano passado, o balanço fechou no vermelho (prejuízo de R$ 1,3 milhão), interrompendo uma seqüência de resultados positivos. Zattera culpa a desafasagem no câmbio e a queda de 41% na divisão agrícola. Ele diz que foi apenas um susto: ?Já voltamos ao azul?, garante. Diante desse cenário, a ampliação da aposta no Marruá é mais que justificada. Além de ganhar as ruas, o jipe servirá de plataforma para produção de veículos especiais para equipes de resgate e mineradoras. Zattera quer transformar o ?boi bravo? no motor do crescimento da Agrale. Antes, porém, terá de ultrapassar os novos obstáculos que certamente surgirão pelo caminho.