Negócios

Videolar cai na rede

O espectador mais atento já deve ter notado. Ao encerrar-se um filme estrangeiro em DVD, enquanto sobem os créditos finais aparece uma última mensagem em português: ?Legendas Videolar?. Para o consumidor, esta é a única exposição do nome de uma gigante 100% brasileira que faturou R$ 1,1 bilhão em 2004 com serviços e produtos para a indústria do entretenimento. Pegue um DVD. A Videolar fabrica o disquinho, grava nele o filme, faz as legendas, as embalagens, a resina usada como matéria-prima dessas embalagens, as milhares de cópias que chegam às vídeo-locadoras e às lojas, estoca e cuida da distribuição. Isso se repete com CDs de música. Uma engrenagem poderosa, mas restrita ao universo das pessoas jurídicas ? estúdios de cinema e gravadoras de um lado, lojistas de outro e a Videolar no meio.

Há duas semanas, porém, a empresa resolveu negociar diretamente com as pessoas físicas pela primeira vez. Adquiriu os ativos da SomLivre.com, terceira maior varejista on-line do País, com vendas de R$ 80 milhões por ano. Por um valor não divulgado, arrematou um cadastro de 3 milhões de clientes, um banco de imagens de produtos, 21 funcionários, a estrutura tecnológica do site e o passaporte para ingressar num mercado de R$ 2 bilhões por ano. ?As Organizações Globo (ex-dona da gravadora Som Livre, que não entrou no acordo, e da SomLivre.com) não têm mais interesse no varejo. Quer focar em negócios ligados ao conteúdo da TV?, explica Leonardo Ganen, diretor financeiro da Som Livre. No mês passado, o grupo dos Marinho já havia vendido o Shoptime (canal de TV e site de vendas) à Americanas.com. Na Videolar, o plano é que em janeiro esteja a todo vapor a nova loja virtual do pedaço, a Videolar.com. ?Em um ano, ela vai representar entre 10% e 15% da receita do grupo?, prevê Lírio Parisotto, presidente da Videolar. ?Mas só vamos vender CDs e DVDs. Não vai ter laptops, eletrônicos, nada disso.?

Ao contrário das demais lojas virtuais, a Videolar não comprará para revender ? afinal, ela é a própria fornecedora. Os 10 mil títulos de CDs e mais 10 mil de DVDs que estarão à venda na Videolar.com são os mesmos que a Videolar já produz e distribui para seus clientes (Fox, Paramount, EMI, Warner, entre outros). ?Estamos estendendo ao consumidor final os serviços que já prestamos aos estúdios e gravadoras?, resume Parisotto. Com algumas vantagens. ?Todo o nosso acervo estará disponível e para pronta entrega, uma vez que espaço de armazenagem não é problema para eles?, avalia Fabio Vianna, vice-presidente da Paramount. Ele se refere ao galpão de 15 mil metros quadrados que a Videolar acaba de inaugurar em Manaus. ?A internet é um canal fortíssimo de venda de DVDs no Brasil. Das 23 milhões de unidades que devem ser comercializadas em 2005, 10% sairão via lojas on-line?, completa Dilson Santos, vice-presidente da Fox.

Se depender de Parisotto, ex-agricultor que construiu um império em 17 anos, a recente investida não deve para por aí. ?Quem sabe, no futuro, passemos a vender também downloads de músicas e filmes??, diz ele. ?Se a Videolar.com se tornar uma referência no setor, como pretendemos, esse será o próximo passo.?

R$ 2,3 bilhões deve ser o faturamento do comércio on-line brasileiro em 2005