Negócios

A bilionária indústria da segurança

As cidades brasileiras foram invadidas por vigias, guaritas e um monte de equipamentos eletrônicos de segurança. Há gente de todo tipo trabalhando no ramo. Desde guardinhas que circulam pelas ruas de bicicleta e apito na boca até policiais que fazem ?bico? nas horas de folga diante de restaurantes, hotéis e boates. Esse é o lado informal da segurança particular, feito por pessoas despreparadas, que gera desconfiança na população. Mas a outra face desse negócio é formada por 1884 empresas privadas que operam de forma organizada, regulamentadas pela Polícia Federal. Elas seguem regras rígidas de conduta e devem responder por um faturamento de R$ 12 bilhões neste ano, 11% acima de 2004. Os dados são do II Estudo do Setor de Segurança Privada, encomendado pela Federação Nacional das Empresas de Segurança Privada e Transportes de Valores, Fenavist. É um completo raio-X de um mercado que vem crescendo, em média, 7% ao ano desde a virada do século.

A pesquisa desmonta alguns mitos. O principal deles é a crença de que o crescimento do setor se dá apenas em função do avanço da violência. A rápida ascensão do ramo de segurança privada em todo o mundo, sustenta o estudo, está diretamente ligada ao aumento de riqueza em cidades, estados ou regiões. Em outras palavras, ao crescimento do patrimônio. Dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública mostram que entre 2001 e 2003 o número de ocorrências de crimes contra o patrimônio, que é protegido pela segurança privada, superou muito aqueles ligados à violência física, de responsabilidade pública. ?O setor cresce 8% ao ano no mundo, mesmo em países onde a violência urbana não preocupa tanto como nos EUA. É a relação direta com o aumento do patrimônio?, atesta Mauro Catharino, diretor da Mezzo Planejamento, responsável pela pesquisa.

O Grupo Coral, de Goiás, é prova desse fenômeno privado. A empresa triplicou de tamanho de 2000 para cá. O período coincide com a chegada ao estado de empresas do porte da Mitsubishi e Perdigão, que levaram investimentos graúdos à região. A constatação é óbvia: nenhum estado poderá prover segurança total a empreendimentos particulares. Pelo menos no nível de exigência que corporações como essas estão acostumadas a trabalhar. Bom para empresas como a Coral. ?Até o final dos anos 90 dependíamos do governo, hoje nossos clientes se dividem entre públicos e privados?, diz Lélio Carneiro, presidente do Coral. A companhia deve faturar R$ 100 milhões neste ano, o que manteria o ritmo de evolução anual de 10% desde a virada do século. ?Um empresário poderoso pode gastar entre R$ 100 mil e R$ 150 mil por mês para garantir a sua segurança e de sua família?, calcula Clodomir Marcondes, diretor da Power Segurança, outra gigante nacional, com quatro mil vigilantes. ?O setor vive um bom momento?, comemora.

Bom, mas com grandes desafios. O principal é conquistar a confiança da população, pois, segundo a pesquisa, ainda há muita clandestinidade no mercado. Empresário calculam que para cada profissional em situação regular (são 400 mil no país), existem três clandestinos. Mas há sinais de mudanças. Existe uma lei que estabelece regras específicas para a operação dos profissionais de vigilância, entre as quais a exigência de treinamento de 120 horas para os futuros profissionais. ?Para ser vigilante é preciso ter ficha criminal limpa e passar no teste psicotécnico e psicológico?, explica Tarcísio Neves, diretor da Inforvigil, escola de segurança privada de São Paulo que já formou mais de 100 mil vigilantes. Na maior empresa de segurança do País, a Pires, existem até agentes fluentes em inglês, espanhol e italiano. São novos tempos no setor.

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