Negócios

Lego em apuros


A brincadeira acabou. Depois de tentar colocar a Lego Company nos trilhos, Kjeld Kirk Kristiansen, principal executivo e neto do fundador, passou o comando para Jorgen Vig Knudstorp, o segundo na hierarquia. A mudança acontece em um momento especialmente delicado para a empresa fundada há 72 anos pelo carpinteiro dinamarquês Ole Kirk Khristiansen e cujas receitas somam US$ 1,4 bilhão. No mesmo dia em que anunciou sua passagem para o Conselho de Administração, Kjeld fez previsões pessimistas para este exercício. A expectativa é fechar o ano com perdas contábeis entre US$ 257 milhões e US$ 343,4 milhões, por conta da depreciação dos ativos (máquinas e equipamentos). No campo estritamente financeiro (receitas menos despesas) a cor predominante no balanço também será vermelha: prejuízo beirando os US$ 70 milhões. Mas o que há de errado no ?reino? da Lego? Segundo analistas, a fabricante do boneco Biff Starling e dos blocos de encaixar é vítima de sucessivos erros de gestão. Exemplo: enquanto as rivais (Mattel, Hasbro e Bandai) concentraram a produção na Ásia, a Lego manteve suas operações em países da Europa e nos Estados Unidos, onde os custos são elevados. Pesou ainda o encolhimento das lojas de brinquedos nos EUA. A rede Fao Schwarz quebrou em 2003 e a cadeia Toy ?R? US fechou 182 lojas pressionada pela política agressiva de preço praticada pela Wal-Mart. Por último, vem a tecnologia. O crescimento do adeptos do videogame é contínuo, fazendo com que o setor já movimente US$ 30 bilhões, bem próximo do obtido pelos brinquedos: US$ 50 bilhões.

Apesar dos problemas, o integrante do clã Kristiansen se mostra otimista em relação ao futuro da Lego. ?Estou confiante que os novos gestores conseguirão colocar a casa em ordem até 2006?, disse ele. Para voltar aos bons tempos ele sabe que será preciso continuar na amarga trilha de cortes de custos. Por ora, foram demitidos mil funcionários. A lista inclui a continuação da venda de ativos. A começar pelos quatro parques batizados de Legolândia, situados na Dinamarca, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. Não está descartada a transferência da produção para a Ásia. Resta saber se isso será suficiente para justificar o nome da empresa, que é a junção das palavras ?Leg? e ?Godt?, que significam brincar bem.