Negócios

O jipe catarinense


Era uma vez um grupo de cinco fabricantes de autopeças catarinenses que não viviam felizes. Elas sentiam a impotência de gerar maior demanda nos negócios pela falta de compradores locais, pois Santa Catarina era o único Estado da Região Sul que não dispunha de montadoras. Interpelados por José Xavier, presidente da Fiesc, Federação das Indústrias do Estado, tomaram o desafio como missão: ?Como as montadoras não vieram para cá, vamos fazer a nossa?. A inusitada proposta redundou, pelo menos por hora, na confecção de um jipe, apresentado na sexta-feira 28, na sede da Fiesc. ?O investimento total é de R$ 15 milhões?, disse, Adolfo César dos Santos, responsável pelo projeto A4 (nome provisório do veículo). Contornos de fábula que começam a ceder espaço ao concreto: o protótipo, pelo menos, já existe. Além disso, R$ 12 milhões já estariam no caixa da TAC (Tecnologia Automotiva Catarinense) ? este é o nome da montadora. O quinteto já angariou outros oito sócios. ?Faltam só R$ 3 milhões?, informou.

A pergunta é inevitável: será que R$ 15 milhões são suficientes para construir uma montadora e fabricar o carro? A Kia informou na terça-feira 26 que vai construir sua planta industrial no Brasil com R$ 50 milhões (ao lado). E isso sem arcar com despesas no desenvolvimento do veículo, já que ele vem prontinho da Coréia do Sul. O executivo da TAC rebate: ?Esse valor se destinará à edificação e à compra de maquinário de montagem final?, explica. Os principais insumos do veículo chegarão prontos dos sócios/fornecedores. O chassi virá da fábrica de escapamentos Wiest. Já a carroceria, modelada pela Fast Parts, será confeccionada na Engefibra e na Tecnofibras. Com motor VW 2.0 e tração 4×4, ?se tudo der certo? a fábrica ficará pronta daqui a dois anos e terá 59 funcionários. Em 2008, a previsão é que fabrique 1.200 unidades. Sem nome definido, o jipe custará cerca de R$ 55 mil ao público. Todo o projeto, como se vê, está prontinho. ?O que ele já chamou a atenção no Brasil, e até de montadoras estrangeiras, não está escrito…?, acrescenta Afonso César dos Santos.