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Friday’s muda o cardápio no Brasil

Durante muito tempo, as redes americanas de fast-food que se aventuraram no Brasil tinham uma única receita de sucesso: bastava repetir a fórmula que usavam no mercado americano para que os consumidores ajoelhassem a seus pés. Mas a prática, na verdade, implodiu a teoria. Vários são os exemplos de empresas que deram meia-volta ou foram obrigadas a mudar todo o seu conceito para se adaptar ao gosto brasileiro. KFC, por exemplo. Chegou, saiu, voltou, saiu de novo e tenta o terceiro regresso. Subway também pagou caro por subestimar o mercado. A luz amarela piscou agora no TGI Friday?s. A rede, que desembarcou por aqui em 1995, com seu cardápio nova-iorquino demais, foi obrigada a rever a operação. Transferiu lojas de São Paulo para outros Estados, acaba de mudar a decoração das unidades e vai adotar um novo menu, onde haverá espaço para picanha e caipirinha. Em outras palavras, o Friday?s está tentando se tropicalizar. ?Algumas adaptações são sempre necessárias?, reconhece Antônio Neves, diretor geral do Friday?s Brasil. ?Fomos com muita sede ao pote. É preciso reposicionar a rede no País.?

Um exemplo? Neves sabe que os shopping centers são grandes aliados das redes de fast-food e inaugurou, na terça-feira 13, uma loja de R$ 1 milhão no pátio do Shopping Dom Pedro, em Campinas. Além de ficar atento com os pontos, o executivo também está de olho na decoração das novas lojas. Quer evitar o excesso de cores e penduricalhos nas paredes para tornar o ambiente mais próximo dos brasileiros. ?Essas redes aprenderam a ficar mais humildes e respeitar as características de cada mercado?, diz o consultor Raul Corrêa da Silva.

Mas, além da cosmética, Neves terá de fazer com que a rede comece a ganhar dinheiro no Brasil. Os quatro restaurantes do Friday?s no País renderam no ano passado uma receita anual de R$ 1,2 milhão. É pouco para as pretensões de um grupo que fatura US$ 2,5 bilhões no mundo. Para se ter uma idéia, só a unidade inaugurada na semana passada no shopping de Campinas custou o equivalente a todo o rendimento da empresa em 2003. É claro que a matriz ajudará na estratégia de expansão. Já está programada a abertura de um restaurante em Belo Horizonte no final deste ano. Mesmo assim, Neves sabe que a filial terá que começar a gerar seus próprios recursos. Para isso, será preciso aumentar a freqüência ? hoje de 43 mil pessoas por semana ? para 52 mil até 2005. ?Quando as novas lojas estiverem operando alcançaremos o objetivo?, diz o diretor geral.

 

O IOIÔ DO FAST-FOOD
Marcas que mudaram tudo para tentar vencer no País


Ela tenta voltar pela terceira vez ao País.
Dessa vez, com arroz, feijão e talheres


Para seduzir o cliente, ela aprimorou o menu
com vinhos, saladas, doces e massas finas


Há apenas um restaurante no Rio. Consultores dizem que os preços altos da rede afugentaram o consumidor