Negócios

Os planos de Nuzman

Às vésperas das Olimpíadas de Atenas (Grécia), Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), pretende tirar da gaveta um plano que, segundo ele, poderá transformar o País em uma verdadeira potência esportiva. O dirigente quer que o segmento tenha o mesmo tratamento dado à cultura, que conta com leis de incentivo, nas esferas federal e estadual, baseadas em renúncia fiscal. ?Já falei com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ele determinou ao ministro Agnelo Queiroz, do Esporte, um estudo sobre o assunto?, destaca. De acordo com Nuzman, esse dispositivo legal viabilizaria o aumento da participação das empresas privadas na formação e manutenção de atletas, além de permitir a construção de modernos centros de treinamento. Estudo elaborado pelo COB indica que a entidade precisaria de uma verba anual de R$ 103 milhões para cumprir essa tarefa. Hoje, o comitê se mantém com repasses da lei Agnelo-Piva (que direciona para o COB e as federações uma parte da arrecadação das loterias federais), que devem totalizar R$ 48 milhões este ano. Metade foi gasta no projeto Atenas 2004. A patrocinadora oficial, a Telemar, entrou com outros R$ 3 milhões.

O modelo imaginado por Nuzman reproduz a bem-sucedida estratégia adotada pela Austrália. Até meados da década de 70, esse país tinha uma presença discreta no cenário esportivo e em 20 anos emergiu como uma potência olímpica, com 58 medalhas (16 das quais de ouro) nos jogos de Sydney, em 2000. ?Esse foi o resultado de investimentos maciços de US$ 100 milhões, por ano, na formação de atletas?, argumenta o presidente do COB. Nuzman, contudo, aposta que o Brasil terá um bom desempenho nos jogos de Atenas. Afinal, um número recorde de 235 atletas já assegurou o direito de ir à Grécia. Que Zeus os proteja.

235 atletas já garantiram o índice para ir a Atenas

O número de modalidades nas quais eles vão competir:26

48 milhões de reais é a verba do COB para 2004