Negócios

A maré está para sardinha

Mensalmente um barco pesqueiro com 25 homens passa 20 dias em alto mar. Quando chega em terra firme, descarrega 120 toneladas de atum e sardinha em gigantescos tonéis no porto de Itajaí, Santa Catarina. De lá, o produto é levado à fábrica, a poucos metros do porto, para ser processado, enlatado, etiquetado e distribuído a 240 mil pontos-de-venda. Essa história se repete desde 1954, quando um imigrante português fundou a Gomes da Costa, hoje a maior produtora de sardinha e atum do Mercosul. Líder do mercado brasileiro, com 46% de participação, a empresa decidiu atacar um novo filão: vai fornecer para restaurantes, fast-foods e cozinhas industriais. ?Precisávamos estar num mercado que as nossas latinhas não atendiam. Então partimos para uma embalagem maior, de 1 quilo?, diz Ismar Assaly, presidente da empresa. O atacadista Makro foi um dos primeiros a fechar contrato. E os restaurantes Viena e Ráscal devem aderir em breve.

A guinada exigiu investimentos de US$ 2,5 milhões numa nova linha de produção. ?Com a estréia no segmento de food-service a meta é crescer 18% sobre 2003?, diz Regiane Street, diretora de marketing. Em números absolutos, a idéia é terminar 2004 com receita de R$ 300 milhões. Além do segmento industrial, o que vem impulsionando as vendas da Gomes da Costa é o aumento do consumo de alimentos saudáveis. ?Vendemos proteína a preço baixo. É só comparar o custo de nosso produto com o valor da carne?, diz Assaly. Não por acaso, a dupla atum/sardinha virou hit em restaurantes de academias e nas novas dietas protéicas, como a de Southbeach. Essa onda saudavelmente correta começou há um ano, tempo suficiente para a Gomes da Costa somar academias e restaurantes ?naturebas? em sua carteira de clientes.

SAIBA QUE

O Brasil tem 1,2 milhão de bares, hotéis, lanchonetes, restaurantes e similares, que faturam R$ 66 bilhões ao ano. A indústria fornecedora desse segmento obteve receita de R$ 29,5 bilhões em 2003, 13% a mais que no ano anterior.