Negócios

Beleza à base de caviar

Baixinho, gordinho, azul translúcido, com tampa prateada. A high society mundial conhece bem esse frasco. Sejam as mulheres, que o compram, sejam seus maridos, que não entendem como míseras 50 gramas de creme para o rosto podem custar R$ 1.569. Sim, você entendeu direito: 50 gramas por R$ 1.569. Pelo mesmo preço dá para se lambuzar com o dobro de caviar e ainda sobra para o champanhe. Mas aí é que está. O pote azul contém produtos de beleza feitos com ovas do esturjão beluga, o mais raro dos caviares e poderoso agente antienvelhe-
cimento. Isso coloca a sua fabricante, a suíça La Prairie, um passo à frente no bilionário mercado de cosméticos. Estee Lauder, Clinique, Lancome, Helena Rubenstein… esqueça. A La Prairie é mais, mesmo faturando menos (US$ 150 milhões por ano). Ela está posicionada no segmento ?superluxo? dos cosméticos, que movimenta
US$ 1 bilhão anuais e muita, muita exclusividade.

Na La Prairie, vale a regra do quanto menos, melhor. Por exemplo: existem 2.500 lojas chiques, o bastante para vender a marca nos EUA, mas ela só está em 300. No Brasil, cujo mercado de cosméticos ?superluxo? gira em torno de R$ 12 milhões, 25 pontos-de-venda têm La Prairie. ?E já é muito?, diz o empresário Marcos Rothenberg, responsável pela marca no Brasil. ?Recebo pelo menos um telefonema por dia de gente querendo abrir uma loja La Prairie por aqui.? Sua resposta é sempre a mesma: não. Estabelecimento com plaquinha da grife na fachada só existe um, nos Jardins, em São Paulo. É um misto de centro de estética com loja. Ali só se atende com hora marcada, e o tratamento facial, de duas horas, custa R$ 380. À disposição da freguesia há os cremes de caviar e outros tantos que ?nutrem e iluminam? a pele. O último lançamento, o Cellular Radiance Cream, leva cristais triturados na fórmula e custa R$ 2.346 (o pote de 50 g). Mas o campeão de vendas é um mais baratinho, o Skin Caviar, de R$ 654 (50 g). São microcápsulas douradas que devem ser apanhadas com uma colher de prata e espremidas num lenço especial antes de aplicadas no rosto. O resultado é o que as esteticistas chamam de ?efeito Cinderela? ? o creme dá uma ?esticada básica? na pele e, em questão de minutos, a cliente está pronta para perder o sapatinho em algum castelo por aí.

Uma fonte do setor diz que Rothenberg estaria negociando para montar um spa
La Prairie no hotel mais chique do País, o Fasano. Ele nega, mas diz que esse tipo
de empreendimento é o novo filão da companhia. Dois spas acabam de ser abertos nos EUA, um no Ritz-Carlton de Nova York e outro no The Beverly Hills, em Los Angeles. São lugares suntuosos, com mais de 1.000 m2, porém discretíssimos. O projeto arquitetônico foi pensado para que as clientes não se cruzassem pelos corredores. ?Elas detestam que saibam que elas usam algo para parecer mais jovens?, diz Rothenberg.

A HISTÓRIA DA MARCA

 A La Prairie nasceu em 1931, em Clarins-Montreux, como clínica de revitalização e beleza. Foi fundada pelo médico Paul Niehans, pioneiro no uso de células de animais em tratamentos de saúde. Mas só em 1953, quando injeções de células de fígado de carneiro salvaram o Papa Pio XII da morte, a La Prairie ganhou fama. Milionários do mundo todo recorreram à ?fonte suíça da juventude?: o imperador Hirohito, Charles Chaplin, Greta Garbo. Nos anos 80, o laboratório de cosméticos foi vendido à Beiersdorf, dona da Nivea. E a clínica ficou com o banqueiro suíço Arnie Mattli. Hoje, uma temporada de seis noites custa US$ 20,7 mil, excluindo a parte aérea. O spa tem 36 quartos e capacidade para 55 hóspedes, que são diariamente bajulados por um staff de 150 pessoas.