Negócios

OS NOVOS BARÕES DO RÁDIO

O mercado quer saber: esses moços ganham muito dinheiro porque não param de investir ou investem porque não param de ganhar dinheiro? Difícil responder. O fato é que os amigos e sócios Luciano Huck, Alexandre Accioly e Luis Calainho estão dando mais uma de suas tacadas milionárias. No começo do ano que vem trarão a São Paulo a rádio Paradiso FM, uma espécie de ?Fasano do dial?, como eles dizem. A emissora entrou no ar há oito meses no Rio de Janeiro com a proposta
de falar a um público adulto bom de papo e de bolso. E, claro,
atrair anunciantes sedentos por alguns segundos da atenção
desse pessoal. ?Investimos R$ 1,2 milhão e nos tornamos lucra-
tivos no quinto mês da operação?, conta Calainho. Ao lado de
Huck, Accioly e mais dois sócios, ele comanda a Dial Brasil,
holding que além da Paradiso controla a filial carioca da rádio
Jovem Pan e a produtora de eventos Q! Fazz.

Não é o primeiro e certamente não será o último negócio dos três juntos. Calainho, Huck e Accioly estão metidos numa teia de fazer dinheiro que se espalha por diversos setores da economia e agrega outros parceiros famosos. Huck, por exemplo, é sócio de João Paulo Diniz (Grupo Pão de Açúcar) em boates e restaurantes e tem uma construtora de prédios de luxo. Já acumulou um patrimônio de US$ 6 milhões. Accioly encheu os bolsos ao vender para a Telefônica a sua empresa de telemarketing por US$ 140 milhões e desde então investe, ao lado de Huck e Diniz, no ramo imobiliário, em bares e discotecas. Calainho é dono do portal Vírgula, um dos poucos lucrativos da internet, de uma empresa que promove bazares de roupas de grife e de uma distribuidora de CDs e DVDs em bancas de jornal. Agora eles estão injetando R$ 1,6 milhão na Paradiso de São Paulo para dar a largada ao que chamam de ?futuro império do rádio?.

O plano prevê novas Paradiso em Brasília, Belo Horizonte, Vitória, Curitiba e Porto Alegre a partir de 2005. Mas aí não mais com dinheiro dos sócios originais. ?Teremos afiliadas?, explica Calainho. ?Um empresário local implanta o modelo, nos paga royalties e cede espaço para campanhas publicitárias nacionais que a Dial Brasil venha a vender.? E a audiência, como fica nessa história toda? ?O que nos interessa é a qualidade e não a quantidade de ouvintes?, diz Calainho, num jargão para lá de surrado. A Paradiso desembarca em São Paulo dançando a mesma música da irmã mais velha: locutores com estilo jovem, mas não adolescente, e uma programação cultural/musical de alto nível. ?O segredo é fazer uma programação para o adulto de hoje, que é bem diferente do adulto de 20 anos atrás?, afirma Calainho.

Um dos trunfos do negócio é a rede de contatos dos três sócios. O apresentador Huck convence artistas famosos a gravar vinhetas para a rádio (Miguel Falabella) ou apresentar um programa sobre cinema (José Wilker). Calainho, ex-vice presidente da Sony Music, aciona sua agenda de telefones para pedir músicas inéditas a cantores e bandas nacionais. Accioly cuida para que os amigos viajados tragam os últimos hits musicais do Líbano, da Índia, do Japão. E todos aproveitam essa rede de contatos para trazer anunciantes.

O outro pulo-do-gato está justamente na comercialização do espaço publicitário. Na Paradiso FM raramente se ouvem os convencionais spots de 30 segundos. A publicidade está integrada à programação, de modo que um economista do Citibank faça boletins sobre o mercado financeiro, ou um repórter entre ao vivo com flashs da festa de 20 anos da Amil, direto do Teatro Municipal do Rio. ?Com isso, conseguimos atrair empresas que até então nunca haviam anun-
ciado em rádio, como a Ralph Lauren?, diz Calainho. Por misturar informação e publicidade, não é um modelo isento de críticas.
Mas é com ele que os três mosqueteiros pretendem se tornar os novos barões do dial nacional.