Negócios

GAROTO PRODÍGIO

Ele andou aos nove meses de idade; montou numa bicicleta ? sem rodinhas ? aos dois; e dirigiu um carro pela primeira vez aos nove anos. Isso, é o pai quem conta. Pois o rapaz em questão hoje tem 27 anos e comanda uma empresa de R$ 460 milhões, com quatro unidades de negócios e 1.200 funcionários. O nome dele é José Auriemo Neto, o novo presidente da JHSF, um dos dez maiores grupos de engenharia de São Paulo, que já executou mais de 6 milhões de m2 para clientes como Unibanco, General Motors, Blockbuster e McDonald?s e construiu condomínios em Dallas e Miami. Antes de ocupar o cargo cedido pelo pai, Fábio Auriemo, Neto vestiu terno e gravata aos 14 para participar de reuniões, criou o primeiro estacionamento da construtora aos 17 e virou diretor da área de shopping centers da JHSF aos 22 anos. ?As pessoas dizem que eu sou precoce. Eu não acho. É que eu nunca gostei de estudar e sempre pedi a meu pai para trabalhar?, conta Neto, que abandonou o curso de engenharia civil no quarto ano a contragosto da família.

A empresa que Neto assumiu não é a mesma da sua época de garoto. Hoje, além de construir e administrar imóveis para grandes companhias, a JHSF também tem um shopping center na capital paulista (Metrô Santa Cruz), uma rede de estacionamento com 1,6 milhão de vagas (Parkbem) e faz serviços de manutenção e limpeza em escritórios e hospitais. O lado bom de tudo isso é que o executivo acompanhou melhor do que ninguém a mudança estratégica do grupo. A idéia de fazer estacionamento partiu dele. Foi o primeiro negócio fora do ramo de engenharia. Pelo visto, o garoto tem feito um bom trabalho. As novas unidades já respondem por quase 30% da receita, e a idéia é que elas tenham o mesmo peso da engenharia. ?A diversificação é um caminho natural. Essas empresas empregam
um capital muito alto na hora de construir e têm de extrair o
máximo de receita possível?, afirma Amaryllis Romano, analista da Tendências Consultoria. ?As construtoras estão fazendo isso para viabilizar a própria sobrevivência. As obras não são tão lucrativas como foram no passado.?

A missão do novo presidente é fazer a empresa crescer pelo menos 15% nos próximos dois anos e investir no mínimo R$ 200 milhões sem assumir dívidas. Nesse intervalo, a JHSF vai levantar três prédios residenciais de alto padrão, comprar um shopping center em São Paulo, ampliar o que já existe e construir outro em alguma cidade brasileira. Aliás, o objetivo do grupo é sair cada vez mais da capital paulista, principalmente na área de serviços ? ele acabou de fechar o primeiro contrato para gerenciar o estacionamento de um shopping no Rio Grande do Sul. Apesar da pouca idade, Neto já pensa como um executivo experiente. O seu modo de vida também denuncia: o rapaz é casado, joga golfe nos finais de semana e convive numa boa com gente que tem idade do seu pai. A começar pelos seus quatro diretores ? todos quarentões. ?No começo foi difícil mandar em gente mais velha do que eu. Agora ninguém mais se assusta quando eu entro em uma reunião.? Isso é Neto quem conta.