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GE TAMBÉM É FASHION

Você conhece a General Electric pelas lâmpadas que iluminam sua casa, pelos refrigeradores que ocupam sua cozinha e até pelas turbinas dos aviões nos quais você voa. Mas certamente não conhece a GE fashion, aquela que em pouco tempo estará nas passarelas e nos desfiles de moda. Depois de oito meses de testes, horas de sono perdidas e inúmeras idas e vindas dos executivos para discutir custos e perspectivas de vendas, a filial brasileira da gigante americana acrescentou mais um item ao seu enorme portfólio de produtos. Juntas, a Polyenka, fabricante nacional de filamentos de poliéster, e a GE Plastics South America, uma das 12 unidades de negócios do grupo, investiram US$ 500 mil para desenvolver e colocar no mercado um fio têxtil inédito na indústria de confecções.

Batizado de PK-Flex a ?invenção? tem potencial para ser o substituto do velho fio poliéster, em geral brilhante e pouco elástico. O PK-Flex é mais maleável, opaco e de fácil combinação com outros fios, como os de algodão. Outra vantagem: ele pode ser tingido a temperaturas mais baixas, reduzindo custos na confecção de tecidos e ampliando as possibilidades de aplicação. O novo produto começou a nascer com a idéia de utilizar plástico de engenharia, presente em geral nas indústrias automobilística e eletroeletrônica, na fabricação de tecidos. A princípio, a proposta pareceu inusitada. Mas, para a GE, a possibilidade de embarcar em um novo ramo de atividade foi bem tentadora. ?Estamos sempre investigando novos mercados e novas aplicações para os plásticos de engenharia. Está no DNA da empresa. E quando a Polyenka nos procurou, não tínhamos como recusar?, explica Edson Simielli, diretor de marketing e tecnologia da GE Plastics South America.

O convite partiu da Polyenka. Sua estratégia de crescimento, nos últimos anos, apoiou-se na fabricação de novos fios que atendessem às demandas da indústria da moda. E de olho nas últimas tendências das passarelas e das vitrines, seus executivos perceberam a demanda por um tecido menos brilhante e mais confortável. A partir daí, Jörg Albrecht, principal acionista da Polyenka, vasculhou o mundo para criar um fio opaco e elástico, concorrente do elastano, matéria-prima dos tecidos stretch como a lycra. ?Busquei parceiros até no exterior e acabei encontrando o sócio ideal na esquina?, brinca ele. As fábricas da GE e da Polyenka ficam em Americana e Campinas, distantes apenas alguns quilômetros.

A maior dificuldade não foi, portanto, a distância entre as duas empresas. ?O complicado foi achar o produto químico que tirasse o brilho dos filamentos?, relembra Simielli. Para isso, a GE Plastics tirou do Valox, matéria-prima utilizada nos plásticos de engenharia, o componente mágico para a tecelagem. Agora, o novo produto está em fase de testes. ?Os clientes estão procurando roupas confortáveis e práticas. Com esse fio, podemos oferecer às grifes um tecido que não amassa, fácil de passar e confortável para o uso. Tanto as grifes masculinas e femininas irão se beneficiar?, aposta Rogério Friaça, diretor comercial da Companhia Manufatora, que levará o PK-Flex para uma feira de tecidos na França este mês. ?Acredito que o tecido esteja nas lojas para a coleção de verão.?

A Santista, gigante têxtil, também colocou o fio em fase de testes para a produção de jeans. Caso as parcerias se concretizem, a Polyenka terá de produzir 100 toneladas do fio por mês. ?Estamos com poucas e estratégicas conversas para oferecer o fio para o mercado. Não queremos banalizar o esforço que tivemos para criá-lo. Acredito que terá uma grande procura, mas iremos com calma?, afirma Albrecht. A expectativa de vendas, mesmo que para poucos clientes, não é pequena. A Polyenka, que espera faturar R$ 300 milhões este ano, espera dobrar a produção em 2004. O novo fio deverá responder por 12% de suas receitas. Para a GE, as perspectivas também
são muito boas. Para cada tonelada produzida do filamento, é consumido praticamente o mesmo valor do plástico desenvolvido
pela GE Plastics.