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CARAMURU PRONTA PARA O EMBARQUE

Para o empresário César Borges de Sousa, trocar cartões de visita nunca foi tarefa fácil. Ao ler o nome de sua empresa ? Caramuru ? os interlocutores logo querem saber: ?Como está o mercado de fogos de artifício?? Antigamente, Sousa ficava apenas constrangido. Hoje, ele fica constrangido e apresenta as suas credenciais: ?O senhor está confundindo. Eu não faço rojão. Mexo com milho, soja. Emprego 2.200 pessoas e faturo R$ 1,5 bilhão ao ano?. E diz isso com o peito cheio, porque gosta de olhar para o passado e ver como um pequeno barracão de madeira levantado há 40 anos por seu pai na Rua Caramuru, em Maringá (PR), transformou-se num colosso. A Caramuru Alimentos é a maior processadora brasileira de grãos. Fornece para gigantes como Nestlé, Elma Chips, Sadia e Carrefour. Tem um parque industrial com cinco unidades espalhadas por Goiás, Paraná, Pernambuco e Ceará e 46 armazéns gerais. Opera dois terminais fluviais e três marítimos, por onde escoa uma produção anual de 1,7 milhão de toneladas. ?E pensar que só enxergávamos a nossa própria rua?, conta Sousa.

Hoje a visão do empresário vai além do Oceano Atlântico. Sua empresa ocupa o 55º lugar no ranking dos grandes exportadores do País, com vendas ao exterior de US$ 210 milhões em 2003. . ias atrás, anunciou investimentos de US$ 10 milhões na ampliação de sua capacidade logística. O dinheiro está sendo aplicado na compra de dez locomotivas da americana GE e 300 vagões graneleiros, que serão alugados para a Brasil Ferrovias. ?Quando o projeto estiver concluído, em 2006, estaremos exportando 1 milhão de toneladas de grãos e farelo de soja pelo Porto de Santos?, prevê Sousa. A soja hoje responde por 90% do negócio, mas foi o milho o responsável pelo primeiro grande salto da empresa. No final dos anos 60, a Europa, que vetava a importação de grãos de milho, liberou a de farelo ? por livre e espontânea pressão americana. ?O farelo era a nossa especialidade e isso viabilizou uma expansão como jamais havíamos imaginado?, relembra Sousa. Depois veio a ?explosão? da soja, a construção de novas fábricas, a ênfase no transporte hidroviário (de 8% a 10% mais barato) e de grão em grão a Caramuru foi enchendo o cofre.

A aposta agora é no girassol. Este ano, Sousa começou um programa inovador com os seus fornecedores de soja: propôs que eles plantassem girassol na entressafra e se comprometeu a comprar toda a produção. ?Eles ganham porque evitam a compactação do solo típica das monoculturas e eu ganho porque não fico com as fábricas ociosas, diluo os meus custos fixos?, explica o empresário. Mas não é só isso. Na outra ponta da estratégia está a consolidação da marca Sinhá, com a qual a Caramuru industrializa e vende óleos de cozinha, farinhas, polentas e outros 70 itens. Líderes de mercado em alguns Estados do Norte e Nordeste, os produtos são praticamente desconhecidos de Minas Gerais para baixo. Para mudar isso, Sousa tem como meta alçar o seu óleo de girassol da terceira para a primeira posição no mercado nacional, ultrapassando os concorrentes da Bunge e Cargil. O produto já é comercializado com a marca própria dos supermercados Carrefour e deve puxar a consolidação do rótulo Sinhá no Sul e Sudeste. Este é o plano de Sousa para não ser mais confundido com fabricante de traques e buscapés.