Negócios

PASSO DE GIGANTE

Depois de construção pesada, energia elétrica, concessionárias de rodovia, alumínio, cimento e até sandálias havaianas, a Camargo Corrêa decidiu colocar seu nome no mercado imobiliário residencial. A nova área do grupo de R$ 6,2 bilhões já nasce gigante e com uma marca consolidada. Ele vai entrar no jogo com cinco lançamentos, que devem render R$ 200 milhões em vendas à companhia e consumir investimentos de R$ 50 milhões no primeiro ano. São casas e apartamentos de alto padrão, com três ou mais quartos, localizados na região do Morumbi, em São Paulo. A estréia está marcada para setembro, e o lançamento do segundo condomínio virá 15 dias depois. ?Queremos estar entre os líderes de mercado em quatro anos. O histórico da empresa, mesmo sendo em obras pesadas, passa credibilidade?, diz Roberto Perroni, diretor-superintendente da Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário, empresa criada em 1996 para administrar imóveis do grupo ? nesse meio tempo, chegou a construir seis prédios comerciais, mas só agora criou um plano de expansão. ?Não vamos fazer obras só quando houver oportunidade. Teremos lançamentos periódicos.? Empreiteiras que já se aventuraram a construir casas, como Odebrecht e Queiroz Galvão, costumam reforçar lançamentos residenciais quando falta investimentos para obras pesadas. Não é o caso da Camargo Corrêa, garante Perroni. ?A empresa não é só uma empreiteira há anos.?

A empresa tem planos de construir casas para a classe média, mas essa é uma decisão para 2005. Até lá, ela aposta no ramo de luxo, mercado que mais cresce na capital paulista. Em 2002, representou 20% das vendas na cidade. Até então, a participação do alto padrão era de 12%. A companhia tem uma estratégia peculiar para crescer nesse mercado. Em vez de construir em diferentes lugares, escolheu um bairro específico. A quantidade de terrenos que o grupo tem na região do Morumbi é tão grande que dá para lançar pelo menos dois condomínios por ano até 2008. A idéia é fazer dali um território Camargo Corrêa, com paisagismo uniforme, coleta seletiva de lixo, segurança privada e trânsito mais organizado.

Concorrência. Isso não significa que a Camargo vai reinar
sozinha. O mercado imobiliário, sobretudo no alto padrão, nunca
foi tão concorrido ? 53% dos lançamentos de 2002 estavam na
zona sul de São Paulo, a mesma onde a construtora está
cavando seu terreno. ?O tijolo e o cimento são os mesmos, mas é diferente de fazer obra pública?, avalia Romeu Chap Chap, presidente do Secovi, o sindicato da construção civil de São Paulo. ?A vantagem da Camargo é ter um nome forte, competência e dinheiro.? O grupo sabe disso e vai aproveitar os cofres cheios para se diferenciar da concorrência. A estratégia é contrariar a máxima do mercado segundo a qual obra sempre atrasa e antecipar a entrega. ?O atraso geralmente acontece por falta de dinheiro. Nós não temos esse problema?, garante Perroni.