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BONI NA TV DE VANGUARDA

Oficialmente, ele ainda não está voltando. Será apenas o ?palpiteiro? da TV Vanguarda, que acaba de ser inaugurada e atinge 1,2 milhão de pessoas no interior de São Paulo, retransmitindo o sinal da Rede Globo. A ambição da empresa, registrada em nome de seus quatro filhos, é também ousada. A partir das cidades de Taubaté e São José dos Campos, ele pretende testar formatos inovadores de programação, que poderão até vir a ser usados em cadeia nacional, caso dêem certo. Estamos falando de ninguém menos que José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, que, durante 30 anos, foi o principal executivo da Globo e o braço direito do fundador Roberto Marinho. ?O modelo atual da televisão brasileira está esgotado?, avalia Boni. ?Seremos um laboratório de novas idéias.? Pode até parecer pretensioso transformar a TV a partir de duas cidades médias, mas Boni tem uma história pessoal de sucesso, que se confunde com a própria história da televisão no País. Por isso, ele tem crédito e seus movimentos são sempre observados com atenção. ?Sua volta deve ser comemorada porque Boni é sinônimo de bom gosto?, aponta o publicitário Nizan Guanaes. ?E a TV precisa disso.? No diagnóstico de Boni, a Globo, com 80% da receita publicitária, distanciou-se demais da concorrência e, por isso, perdeu o estímulo para inovar. Os rivais, por sua vez, acabaram apostando em programas de auditório baratos e sensacionalistas, que, diz ele, não os levarão a lugar algum.

Boni comandou a Globo entre 1967 e 1997. Desde então, viveu num silêncio muitíssimo bem remunerado. Era consultor da Globo apenas para que não levasse seu conhecimento aos concorrentes, mas este contrato venceu no início deste ano. ?Fui um consultor jamais consultado?, recorda Boni, com certo desapontamento. Depois de tanto tempo nessa gaiola dourada, Boni poderá provar se amadureceu projetos criativos. Além de lançar vários jornais locais, a TV Vanguarda já firmou convênios com as universidades da região, para produzir conteúdo direcionado ao público jovem. A aposta de Boni é regionalizar a programação para que os telespectadores se reconheçam na TV. Além disso, as campanhas publicitárias foram entregues às agências de São José dos Campos e Taubaté. ?Só quem é de lá entende como funciona a região?, afirma. Na TV Vanguarda, que tem também a família Marinho como sócia minoritária, já foram feitos investimentos da ordem R$ 30 milhões. A idéia de Boni é que o retorno venha a médio prazo, dentro de sete anos.

Esse novo empreendimento, porém, não impede que Boni se
dedique a outras oportunidades na área de mídia, até porque os sócios na nova rede são seus filhos. Isso lhe dá liberdade para, eventualmente, participar de projetos com outras emissoras.
Desde que foi aprovada a lei que permite a entrada do capital estrangeiro na área de comunicação, até 30% do controle, Boni passou a ser sondado por bancos de investimento e por empresários interessados em entrar no setor. A lei, sancionada em 2002, também permite que as empresas de mídia sejam controladas por pessoas jurídicas, e não por pessoas físicas. ?A solução da crise que o setor atravessa é a profissionalização e a transformação das empresas em verdadeiras corporações?, avalia Boni. ?É um processo que, mais cedo ou mais tarde, acabará acontecendo.? Hoje, todas as emissoras são familiares e algumas estão fragilizadas financeiramente. Boni já identificou interessados em entrar no setor. ?Existem compradores, mas eu ainda não vi nenhum empresário realmente decidido
a vender?, disse à DINHEIRO.