Negócios

ACELERA, SUNDOWN

A Companhia Brasileira de Bicicletas (CBB) gosta de uma boa briga. Quando a Caloi liderava com folga o segmento, ela entrou na pista com a marca Sundown e em apenas cinco anos emparelhou com a rival. Agora, desafia Honda e Yamaha na arena mais disputada do mercado de motocicletas: a dos modelos de 125 cilindradas, responsáveis por 56% das vendas no Brasil e que movimenta R$ 2 bilhões. A máquina de estréia é a Max 125 cc, produzida na unidade de Manaus. Para ter alguma chance diante das japonesas, a CBB ? cujas receitas somaram R$ 143 milhões em 2002 ? foi buscar três parceiros na China: as fabricantes Jinan Qingqi, Loncin e Lifan. Conhecidas pelos grandes volumes e o baixo custo de produção, elas fornecerão a maior parte dos componentes (parte elétrica, motor, câmbio, etc.) usados nas motocicletas da CBB. ?Só assim poderemos garantir a competitividade de nossos produtos?, conta Antônio Carlos Romanoski, que há dois meses assumiu o cargo de presidente da CBB com carta-branca para agir. ?Vim com a missão de modernizar a companhia e a Max é só o começo do meu trabalho?, avisa. Segundo ele, motocicletas mais potentes já estão previstas para o próximo ano. Hoje, os veículos motorizados ? a CBB também tem scooters ? respondem por 5% do faturamento. A meta é dobrar essa fatia
até o final de 2004.

A concorrência reagiu com elegância às pretensões da CBB. ?Há lugar para mais competidores. Mas o consumidor não é bobo e só aceita produtos de qualidade?, diz Aurélio Maranha, diretor de Vendas de Motocicletas da Yamaha. Romanosky, da CBB, garante que terá preço e principalmente boas máquinas. ?Do contrário nem entraria na briga.? Apesar de todo o entusiasmo do executivo com o segmento motorizado ele não vai deixar em banho-maria o mundo dos selins, guidões e pedais. O segmento de bikes, do qual a CBB é líder com uma fatia de 30%, também será atacado. Neste caso, a idéia é ampliar o mix, abrindo o leque para a linha infanto-juvenil, além de reforçar a posição na faixa premium (acima de R$ 1 mil). Os lançamentos vão consumir verba de R$ 3 milhões. Hoje, a empresa tem sua atuação concentrada nas fatias média e esportiva, com modelos destinados aos amantes de esportes radicais e os que gostam de bikes de performance. O filão popular, onde o preço é que dá as cartas, também é cobiçado pelo executivo. ?Não deixarei escapar
nenhuma boa oportunidade de ganhar dinheiro?, destaca o novo
piloto da CBB.