Negócios

DINHEIRO VERDE

Nem dólar nem real. No interior do Brasil, as lojas de sementes, adubos, tratores e máquinas agrícolas aceitam cada vez mais um outro tipo de moeda, a chamada Cédula de Produto Rural. A CPR é um título emitido por produtores ou cooperativas rurais, que vendem antecipadamente a sua safra agropecuária. Com essa espécie de dinheiro verde nas mãos, os fazendeiros se financiam e vão às compras. Na data do vencimento, os credores trocam
esses papéis pelo volume garantido da cultura ou pelo preço equivalente à quantidade acertada do produto. Segundo as
contas do Banco do Brasil, que domina 95% desse mercado, os negócios com CPR somaram R$ 1,06 bilhão no ano passado, um aumento de mais de 25% na comparação com 2001. Em relação aos R$ 36,5 milhões negociados em 1996, quando as transações ainda engatinhavam, o crescimento é de espantosos 2.800%. ?Depois do crédito rural, a CPR é a forma mais barata de o agricultor conseguir recursos no mercado para se financiar?, afirma José Carlos Vaz, gerente executivo da área de agronegócios do Banco do Brasil. ?Por isso cresce tanto.?

E deverá crescer muito mais. De olho no próspero setor de agribusiness, a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) lançará ainda neste semestre um mercado secundário de CPR. Dessa forma, produtores, empresas de insumos agrícolas e instituições financeiras poderão negociar eletronicamente esses títulos entre si e até mesmo com outros investidores. A intenção da BM&F é captar um volume significativo das chamadas CPRs ?de gaveta?, estimado em cerca de R$ 15 bilhões. Esse tipo de CPR é geralmente usado para comprar produtos agrícolas, como defensivos e adubos. O agricultor emite o título e o credor o guarda até a data do vencimento, sem negociá-lo. ?É melhor colocar uma CPR no mercado secundário do que guardá-la na gaveta?, afirma Noenio Spinola, porta-voz da BM&F. ?Com isso, esperamos atrair mais participantes para esse mercado, como os fundos de investimento.?

Alguns fundos já se interessaram pela CPR antes mesmo da
criação do mercado secundário, que dará mais liquidez aos
negócios. O Banco Santos irá lançar até março deste ano uma família de fundos com lastro em CPR. Segundo Carlos Eduardo Guerra, diretor da Santos Asset Management (SAM), essa poderá
ser uma boa opção para os investidores que querem diversificar suas aplicações e apostar na competitividade das commodities agrícolas brasileiras. Para lançar o produto, o banco já está formando um estoque desse tipo de papel, que tem boa avaliação de crédito. ?Só vamos lidar com CPR com aval, que é aquela que tem seguro de alguma instituição bancária, o que a transforma num título de crédito com risco muito baixo?, observa Guerra. ?É como apostar na moeda do produtor rural.?

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