Negócios

A ENXUTA SECOU

Ela já enfrentou as multinacionais de linha branca e dominou, até o
início do ano passado, 90% do mercado de secadoras de roupa. Mas a queda nas vendas do setor de eletrodomésticos ? que além do desaquecimento da economia sofreu um duro golpe com o racionamento de energia ? fez a fonte secar. Sem capital de giro e uma dívida de R$ 22 milhões, a gaúcha Enxuta interrompeu sua produção em dezembro.

Os funcionários, 740 no total, não vêem a cor do salário desde novembro. A situação é tão tensa que no sábado 5 um grupo de 300 trabalhadores derrubou a cerca da fábrica para exigir uma negociação. A reportagem tentou localizar o dono da empresa, Paulo Triches, mas foi informada que ele estava viajando. No mesmo dia, porém, Triches negociava com os trabalhadores uma trégua. Sua proposta é que eles esperem até o dia 25. ?Se pagarem os salários até lá, a produção será retomada. Caso contrário, a empresa será fechada?, relata a diretora do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias de Sul, Eremi Fragoso.

Em carta publicada na imprensa, Triches diz que a crise é de responsabilidade do apagão e da situação argentina. Entre julho e agosto, a receita caiu 70%.

Desenganados, 140 trabalhadores se anteciparam e pediram as contas. Assim ao menos têm a carteira de trabalho liberada para procurar trabalho. Em 20 anos, a Enxuta já passou por altos e baixos. Em 1991, demitiu 400 de um quadro de 1.550 funcionários. Dois anos depois, o Citibank, acionista desde 1988, vendeu sua parte no negócio para a família. Em fevereiro de 2001 os negócios iam bem e foi anunciada a construção de uma fábrica de R$ 18 milhões na Bahia. Nunca saiu do papel.

Membro de uma família tradicional de Caxias do Sul, Triches possui diversos negócios, incluindo um shopping center. ?Ele tem de onde tirar dinheiro. Não paga salário porque não quer?, afirma Eremi.