Negócios

FORRÓ COM GOLFE

Atrair turistas com um hotel de alto luxo e um verde campo de golfe no Nordeste do País do futebol. Esta é a nova idéia do empresário luso-brasileiro André Jordan. Numa bem montada operação com sócios portugueses e franceses ? entre eles, o Banco Comercial de Portugal, Sonae, Grupo Accor, Grupo Espírito Santo e Amorim ? Jordan irá investir US$ 600 milhões para transformar a região em um novo Caribe. ?O Nordeste brasileiro tem todas as condições de atrair o turista apaixonado por golfe e com alto poder aquisitivo do Hemisfério Norte?, diz. ?Os vôos para a região estão ficando mais baratos, os preços são mais acessíveis para os estrangeiros e há inúmeras vantagens no clima, no paisagismo e na diversidade gastronômica e cultural.? Ele só não definiu ainda o local que irá sediar o empreendimento. Nos últimos meses, o empresário e seus pares portugueses fizeram visitas ao Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas e Bahia. Conversaram com prefeitos e governadores, mas ainda não bateram o martelo. ?Precisamos pesquisar?, despista Jordan.

Pesquisar significa, além de escolher a melhor região para a prática do golfe ? a menos chuvosa, por exemplo ?, detectar qual é a cidade mais generosa para acolher empreendimento de tal ordem. Entenda por generosidade a capacidade de oferecer incentivos fiscais para o projeto. O empresário confessa que chegou a sondar outros países, mas o coração brasileiro acabou falando mais alto. A bondade financeira, pelo visto, também. Tido como visionário em Portugal, este senhor de 68 anos, nascido na Polônia e criado no Brasil, fez fama e fortuna ao transformar locais considerados pobres para o ramo hoteleiro em pólos de desenvolvimento para o setor. Fez isso, por exemplo, em 1970, ao escolher a pequena Quinta dos Descabeçados, em Algarve, Sul de Portugal, para montar um empreendimento, a Quinta do Lago, nos moldes do resort de Punta del Este, no Uruguai. Também escolheu o golfe como ponto de atração. ?Pensei em fazer de Portugal a Flórida da Europa?, conta o idealizador. O local atrai hoje a atenção de turistas, reis, rainhas e príncipes europeus, além de estrelas como a cantora Madonna e o piloto Rubens Barrichello. A Quinta do Lago é considerada dos seis maiores e mais bem-sucedidos projetos do gênero no continente.

Jordan administra, através do grupo empresarial português controlado pela holding Lusotur, mais de US$ 3 bilhões em investimentos nos setores imobiliário e turístico. Tem uma trajetória de vida de desafios. Nasceu em setembro de 1933 em Lwow, na Polônia, de onde veio para o Brasil durante a II Guerra Mundial, aos seis anos de idade. Seu pai Henryk Alfred Spitzman Jordan se transformou em empresário da área imobiliária em São Paulo e no Rio de Janeiro e, anos mais tarde, levou o filho para trabalhar como executivo nas suas empresas. Pouco depois, Jordan preferiu experimentar outros ares e empregou-se na Levitt & Sons, em Nova York, considerada a maior empresa imobiliária nos Estados Unidos. Com a experiência adquirida, partiu em 1970 em busca de seu sonho pessoal, associando-se a empresários portugueses e criando a Planal, empreendedora responsável por Quinta do Lago. Entregou a administração dos negócios em 1974 aos funcionários, diante da política estatizante da Revolução de Abril em Portugal, mas retomou-os seis anos mais tarde, com uma dívida de US$ 80 milhões, solucionada totalmente apenas há um ano com a venda da Quinta do Lago a terceiros.

Hoje, suas atenções estão voltadas aos empreendimentos Belas Clube de Campo (a 20 minutos ao norte do centro de Lisboa) e Vilamoura XXI, em Algarve. Ele busca o mesmo conceito do empreendimento pioneiro, unindo golfe e alto luxo, com investimentos que deverão exceder US$ 3 bilhões. Cerca de 450 mil turistas por ano passam por Vilamoura, hotel que reúne cassino e marina para mil barcos e 400 lojas, além, é claro, dos campos de golfe. Jordan não pára: neste momento, está construindo um parque ecológico de 250 hectares. ?Equivale a uma cidade média portuguesa?, compara o idealizador.