Negócios

PARCERIA DE PESO

Se é verdade que o melhor termômetro para medir o prestígio de um negócio está na sua capacidade de atrair a cobiça de titãs do mundo financeiro, então os executivos da brasileira Atrium Telecom podem ir colocando o champanhe para gelar. A empresa conquistou a confiança (e generosos recursos, é claro) do fundo norte-americano GE Capital e do banco JP Morgan, conhecidos pelo rigor no critério de seus investimentos. Com um aporte de capital dos parceiros ? algo perto de R$ 40 milhões ?, a Atrium Telecom, espécie de operadora independente de telecomunicações de São Paulo, vai se transformar nos próximos dois meses em uma empresa de alcance nacional. Até maio, a companhia deixará de estar restrita à capital paulista para atuar também no Rio de Janeiro e em Curitiba. Depois será a vez de Belo Horizonte e Ribeirão Preto. ?Vamos administrar as ligações telefônicas, os acessos à Internet e a transmissão de dados de prédios comerciais?, declara Lincoln da Cunha Pereira Filho, um dos fundadores da Atrium. ?Seremos responsáveis pela infra-estrutura tecnológica de 400 edifícios no Brasil, em 2003?, aposta Lincoln.

Com sede na Vila Olímpia, a chamada Vila do Silício brasileira, na zona sul de São Paulo, a companhia agrega a cada mês mais 10 edifícios à sua atual rede de 60 prédios, que são atendidos com tecnologia de banda larga de última geração. Foi este potencial que seduziu os americanos. Em maio de 2000, a Atrium conseguiu junto à Anatel autorização para atuar no chamado serviço limitado. ?Não temos o aval para trabalhar em rede pública, como as operadoras de telefonia normal, mas sim em regiões restritas.? Em poucas palavras, a Atrium conecta edifícios carentes de tecnologia da informação com as redes da Telefonica, Intelig, Embratel e Vésper. ?Onde não há infra-estrutura tecnológica, nós contratamos o cabeamento e eletrificamos os tijolos?, filosofa Lincoln. O faturamento neste ano deve chegar a R$ 40 milhões, o dobro de 2000. Em 2003, a expectativa é de que a receita alcance os R$ 130 milhões.

Para garantir uma performance dessas, Lincoln foi à caça de profissionais formados em grandes companhias de telecomunicações. Fechou contrato com João Figueiró, ex-Telemig Celular, Cícero Ferreira, ex-Rede TV!, e Maurício Vaz, que veio da Atento, empresa de callcenter da Telefônica. O segredo para conquistar os especialistas? Participação no capital. Hoje, cerca de 14% das ações da Atrium estão nas mãos de altos funcionários. A receita tem dado resultado. ?Nossos fornecedores não nos encaram como concorrentes, mas como parceiros para conquistar novos usuários.? Isso porque até em São Paulo existem dificuldades para a instalação de cabos e para atrair tecnologia, e a Atrium se encarrega de fazer isso para clientes que por sua vez só têm a aumentar a receita de operadoras. ?Somos uma espécie de varejistas do setor de telecomunicações. Compramos bits no atacado das operadoras e vendemos à nossa clientela.? No caso das ligações telefônicas, há um repasse integral do desconto médio de 20% que a empresa consegue. De onde então vem a receita da Atrium? Das comissões sobre as taxas de transmissão de dados, das quais consegue grandes reduções de preços. ?Ainda assim, garantimos um desconto de 10% para nossos clientes.?