Negócios

Terapia de choque

O maior laboratório nacional, o Aché, decidiu tomar remédio amargo, mas necessário. Está em curso a mais significativa mudança na estrutura administrativa da empresa desde sua criação em 1966. Os três fundadores e sócios que tocaram o negócio por 34 anos deixaram os cargos executivos no início do mês. O presidente Adalmiro Dellape Baptista, de 66 anos, e os vice-presidentes Vitor Siaulys, de 64 anos, e Antônio Depieri, de 68 anos, limparam as gavetas e saíram de suas salas. Vão agora ocupar os assentos do recém-criado Conselho de Administração. Um diretor-geral, ainda a ser contratado, vai cuidar do dia-a-dia do laboratório, que fatura R$ 700 milhões por ano e tem 3,5 mil funcionários. ?O Aché vive sua grande mudança. A gestão da empresa está sendo totalmente profissionalizada?, anuncia Vitor Siaulys, em entrevista exclusiva à DINHEIRO. ?Durante 34 anos, os sócios desfrutaram um matrimônio perfeito, mas decidimos separar a propriedade da gestão?, acrescenta ele.

 

O processo em curso, já vivido por outras empresas de origem familiar, como a Sadia, está baseado em auditoria feita pela McKinsey. Além da nova concepção administrativa, o Aché Laboratórios deverá diversificar seus produtos e entrar em segmentos prósperos como o dos remédios veterinários e dos cosméticos. ?Vamos arrumar a casa e buscar mercados alternativos?, avisa Siaulys. Ele se esforça para mostrar que a transição não feriu a antiga relação dos sócios, uma vez que Adalmiro Baptista respondia pela presidência do grupo. ?O Adalmiro não foi destituído da presidência; o que ocorreu é que os sócios se afastaram da gestão?, diz. ?Afinal, está na hora de nos aposentarmos.? Os fatos mostram, no entanto, que nem tudo é tranqüilidade na sede da empresa, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Quando os três sócios se conheceram, como propagandistas de remédios, eram jovens começando a vida. ?Hoje, temos filhos, que são também acionistas?, lembra Siaulys. Alguns dos herdeiros estão preparados para assumir os altos cargos na empresa. Este simples fato teria acarretado conflitos. Por isso, uma regra já foi definida: os filhos de Siaulys, Baptista e Depieri ficarão no Conselho, fora da gestão. ?Cada sócio terá duas cadeiras no órgão. Não se pode mais ter acionistas na parte executiva da empresa?, reforça Siaulys.

 

 

Outro ponto que teria motivado a atual reviravolta no Aché foram as dificuldades financeiras. O lucro do laboratório no ano passado foi de R$ 83,7 milhões. Mas o balanço parcial de 2000 revelou prejuízos no primeiro semestre. Adalmiro Baptista apontou, em entrevista à DINHEIRO em agosto, o ministro da Saúde, José Serra, e os genéricos como os vilões do desempenho insatisfatório. Chegou a acusar Serra de adotar ?bandeira eleitoreira? ao instituir o congelamento dos preços dos remédios. O Aché, na ocasião, não assinou o acordo proposto pelo governo. ?As vendas caíram para complicar a história. O ministro José Serra foi vitorioso em sua propaganda a favor dos genéricos?, declarou Baptista, em agosto. ?A indústria farmacêutica é hoje um setor acovardado?, disparou. Visando atingir Serra, as declarações de Baptista tiveram o efeito de bombas que caíram no próprio território. ?Faltou certo entendimento da gente com o Serra?, ameniza Siaulys. ?O ministro está convidado a conhecer nossas posições e nossa empresa. Pode vir.? O novo Aché de gestão profissional quer ser um laboratório em paz com o governo.

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