Negócios

Questão de Método

Durante anos, a Método Engenharia, uma das maiores empresas de construção civil do País, viveu sob a pressão daquilo que poderia ser chamado de ?síndrome do pato?. Eclética, a ave voa, nada e anda, porém faz tudo desajeitadamente. Diversificada, a empresa também atuava em várias frentes, mas, após um longo período de sucesso, começou a ver os resultados minguarem. Foi o sinal amarelo para que a Método mergulhasse num processo de metamorfose, a mais forte reviravolta em seus 30 anos de existência: vendeu um pedaço do capital para fundos de investimento, associou-se a grandes grupos estrangeiros e redesenhou inteiramente sua estratégia de negócios. ?Estamos prontos para uma nova fase de crescimento?, diz Victor Foroni, que, com Hugo Marques da Rosa, fundou a companhia em 1973.
Revigorada, a Método lança agora um dos mais ambiciosos projetos imobiliários dos últimos anos no País. Junto com fundos de investimentos brasileiros e estrangeiros pretende recolher US$ 200 milhões para erguer um complexo de escritórios em São Paulo. Localizado na Marginal do Rio Pinheiros, em São Paulo, o terreno pertencia à Ciba Geigy. Ali, em 40 mil metros quadrados, serão construídos 120 mil metros quadrados dos chamados escritórios ?triple A?, ou seja prédios inteligentes com forte utilização de tecnologia. Nas próximas semanas, os parceiros serão definidos. Os tijolos começarão a ser empilhados no início de 2001 e a conclusão está prevista para no máximo três anos. A obra faz parte de um plano mais amplo de investimentos. Nos próximos três anos, a Método espera captar outros US$ 100 milhões para investir em projetos semelhantes.

 

Há, inclusive, uma liturgia preparada para celebrar essa nova fase. A partir de novembro, a Método apresentará um novo logotipo em substituição ao atual, criado há mais de 20 anos. Também deixará o antigo prédio na avenida Santo Amaro, em São Paulo, em direção a um andar da Torre Norte, um dos mais modernos edifícios do País. Os primeiros passos em direção a essa ?nova fase? foram dados logo após a crise da Rússia, em 1997. A Método vinha de um período de expansão vigorosa. Entre 1980 e 1996, a empresa cresceu 3,5 vezes, enquanto o setor de construção civil encolheu 5%. A receita, nas palavras de Rosa: ?Nós inovamos tanto em tecnologia de construção, como em sistemas de administração. Isso nos deu uma vantagem significativa em um segmento que era um fóssil vivo na economia brasileira.? Pioneira na implantação de uma gestão participativa e de remuneração variável, nos canteiros de obra a empresa patrocinou cursos de alfabetização para operários e lançou novidades como o uso de pré-moldados. ?Com o tempo, concorrentes também passaram a utilizar as mesmas ferramentas?, diz Foroni. ?Assim, o jogo voltou para o zero a zero.?

 

Em vez de renegar o passado, a Método radicalizou o que já vinha fazendo desde seu nascimento. ?Precisávamos continuar na frente em tecnologia e na gestão dos negócios?, diz Rosa. A primeira tacada foi buscar sócios. Três fundos de investimentos adquiriram 45% do capital total. O mais importante deles é o Carteira Livre, formado por 26 fundos de pensão e pelo Credit Suisse First Boston. ?Eles não possuem direito a voto, mas nos ajudam muito, principalmente na gestão financeira?, diz Rosa. As principais áreas de atuação tornaram-se independentes e ganharam sócios, de preferência estrangeiros. Na área de incorporação, associou-se à Tishman Spyer, maior empresa de engenharia do mundo. Em telecomunicações, a parceria foi com a americana Bechtel. A fabricação de pré-moldados foi dividida com a canadense Beton Dulac. Para a operação dos três parques aquáticos, uniu-se ao Wet?n Wild.

Os sócios decidiram manter apenas a área de construção civil sob seu total controle ? mas definiram exatamente quais seriam suas especialidades. Primeira: edifícios de escritórios de alto padrão ?triple A?. Levam sua assinatura endereços como a Torre Norte, no World Trade Center, e o Berrini 500, ambos em São Paulo. A segunda especialidade é a construção de hotéis de primeiro nível. Foi a Método que ergueu a unidade do Caesar no Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Será ela a construtora do primeiro Hyatt em solo brasileiro, em São Paulo. Terceira especialidade: apartamentos para classe média alta. Com esse portfólio, no ano passado a Método faturou cerca de R$ 215 milhões. Seu lucro foi de R$ 30 milhões. Para 2000, esses números deverão crescer cerca de 40%.

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