Negócios

Os donos do layout

Parte do sucesso das empresas, acredite, sai das pranchetas de um arquiteto. As mudanças no mundo dos negócios reforçaram a necessidade de criação de ambientes adaptados a exigências crescentes como funcionalidade, agilidade na comunicação, redução de custo e ganho de produtividade. Para garantir essas vantagens competitivas, entrou em campo, principalmente nos últimos cinco anos, um seleto time de profissionais especializados numa arquitetura que começa a ser batizada como corporativa. Cerca de 150 escritórios de arquitetura espalhados pelo País, em especial nos grandes centros urbanos, têm transformado os antigos ?locais de trabalho? em espaços de produção inteligentes. É um negócio promissor. Cada metro quadrado desenhado por eles sai, em média, por R$ 1.000,00. ?A aceleração da concorrência levou as empresas a procurar diferenciais?, afirma o arquiteto Rogerio Batagliesi, autor da sede da Directv e do escritório administrativo do Citibank. ?Um bom projeto arquitetônico garante isso.?

A evolução das estruturas organizacionais e da tecnologia forçou a uma revisão extrema do ambiente de trabalho. ?A organização adequada do escritório contribui para a qualidade de vida dos funcionários e, portanto, garante maior potencial produtivo?, frisa o arquiteto José Armênio de Brito Cruz, sócio do Piratininga Arquitetos Associados, que projetou sedes de empresas como a Phillip Morris, a Cotia Trading e a Cesp. Cada projeto, porém, acrescenta ele, deve servir como elemento de identificação da ?missão? da companhia. ?O escritório reforça a imagem e as qualidades que a empresa quer ter?, afirma. Na maioria dos casos, os escritórios estão adotando recursos como ambientes sem divisórias, mesas compartilhadas, cores e texturas diversas aplicadas nos móveis e paredes, lazer garantido (inclusive sinuca e ping-pong) no meio do escritório e salas montadas para descanso, com direito até a um soninho no meio da tarde. Muitos dos espaços de trabalho estão hoje assim, distantes do conservadorismo dos escritórios tradicionais.

É o caso da sede da agência de publicidade Neogama, cujo projeto e obras exigiram investimentos de US$ 1 milhão. ?Queria que o discurso de criatividade estivesse impresso no espaço de trabalho?, conta o presidente Alexandre Gama. O mesmo vale para a SAP, empresa de software de gestão, projetada pelos arquitetos Marco Antonio Stancati e Volmar Leal Stancati. ?Lá, foram feitas estações de trabalho virtuais, áreas de lazer e ambientes sem divisões, facilitando a comunicação e agilizando as decisões?, avalia Marco. O faturamento anual da empresa dos Stancati deverá saltar dos atuais R$ 7 milhões para R$ 8,2 milhões, um aumento de 18%.

Essa revolução chamou a atenção de fabricantes nacionais e internacionais de móveis. Há quatro anos no Brasil, a americana Still Case, dona de um faturamento mundial de US$ 3,3 bilhões anuais, adquiriu a marca brasileira Oca e ostenta hoje uma receita ascendente. De 1997 para cá, as vendas subiram de R$ 15 milhões para R$ 32 milhões por ano. ?Muitas das multinacionais que vinham para o Brasil encomendavam o mobiliário da matriz. Então decidimos produzir aqui?, explica o gerente de marketing para a América Latina, Fernando Maroniene. A brasileira Giroflex também está sendo beneficiada pelo crescimento desse mercado. A fabricante de móveis para escritórios multiplicou por três o faturamento nos últimos cinco anos. ?A demanda explodiu?, frisa o diretor de marketing Markus Schmidt. Roberto Loeb, que projetou as sedes da Brahma, Natura, Camargo Correa e Multibrás, concorda: ?A procura pela arquitetura corporativa tem crescido em progressão geométrica?.

 

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