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Automóveis que aconteceu com o meu carro?

A indústria automobilística nunca passou por um pesadelo semelhante. No ano passado 19,9 milhões de americanos levaram seus veículos às revendas para reparar defeitos de fábrica. O número é equivalente a um terço da produção mundial, bate o total fabricado nos EUA em 1999 em mais de 3 milhões de unidades e é maior que toda a frota circulante no Brasil, avaliada em 16 milhões de veículos. Um recorde mundial em operações de recall. No Brasil, milhares de motoristas também foram às redes autorizadas no ano passado pelo mesmo motivo. Segundo o Procon de São Paulo, pelo menos 75 mil veículos tinham defeitos de fabricação. Por isso mesmo, o XXI Salão do Automóvel, que abre suas portas esta semana em São Paulo, não será apenas o palco dos protótipos futuristas, das belas modelos e do luxo sobre rodas. Será sobretudo o cenário perfeito para expor a qualidade da indústria automotiva.

O problema maior talvez esteja na competição para fazer um carro no menor tempo possível. ?Isso acaba comprometendo a qualidade?, diz Mauro Zilbovicius, diretor da Fundação Vanzolini, o principal instituto brasileiro certificador de normas de qualidade. Há 10 anos um carro levava de quatro a cinco anos para chegar à linha de produção. Atualmente, a ?gestação? baixou para dezoito meses. Para chegar a essa marca algumas medidas foram tomadas. Uma delas foi espremer os prazos de fornecimento das peças. ?Alguns testes foram sacrificados e os defeitos aumentaram?, conclui.

As montadoras procuradas por DINHEIRO ? Volkswagen, Ford e General Motors ? preferiram não falar sobre recall. A Mercedes-Benz informou que a orientação sobre o assunto vem da matriz na Alemanha. Os discursos costumam ser semelhantes. Com pequenas variações, os comunicados sempre mencionam que o defeito não ocorrerá imediatamente e que a medida é preventiva. Infelizmente, em alguns casos a decisão de fazer o recall chega tarde demais. Em agosto, a Bridgeston/Firestone anunciou um recall gigantesco depois que a National Highway Traffic Safety Administration (agência americana que fiscaliza segurança veicular) levantou a suspeita que 169 pessoas morreram por causa dos pneus fabricados pela companhia. Ao todo, serão trocados 7,9 milhões de unidades ao custo de US$ 1 bilhão. A concessão de certificados de qualidade ISO ou QS não ajuda a resolver o problema. Isso porque os dois certificados garantem qualidade de processo e não do produto final. Na prática significa que se uma montadora fizer um carro com defeito ela o fará dentro do melhor processo produtivo. Mas continuará sendo um produto defeituoso.

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