Negócios

A mutação da Copersucar

A Copersucar não anda lá muito bem das pernas. Além da quebra de 20% da safra de cana-de-açúcar neste ano, devido à seca e às geadas no Sudeste, a maior cooperativa de açúcar e álcool do País enfrenta um sério problema no orçamento. Responsável pelo desenvolvimento de mudas mais produtivas, e que representam hoje cerca de 50% da cana no Brasil, a empresa perdeu em 1997 o direito dos royalties sobre boa parte das espécies, originárias de cruzamentos.

Isso porque a Lei de Cultivares anulou todas as patentes até aquele ano e qualquer agricultor passou a ter liberdade de usar as mudas da Copersucar sem ter de mexer no bolso. O prejuízo foi considerável. Na ponta do lápis, se nada tivesse sido mudado, a Copersucar estaria hoje recolhendo R$ 60 milhões por ano em royalties. Mas como teve de começar do zero, desenvolvendo novas mudas, seus ganhos anuais com as patentes não passam de R$ 6 milhões. Diante da perda, a cooperativa decidiu reagir. ?Iniciamos em maio a fiscalização por satélite das plantações onde há mudas desenvolvidas recentemente por nós?, explica o gerente de fitotecnia, William Burnquist. Mas o pulo do gato da empresa está sendo preparado no centro de tecnologia, em Piracicaba, no interior paulista. Vem aí a cana transgênica, arma da Copersucar para retomar o controle do cultivo no País e gerar mais divisas.

Países como os Estados Unidos e Austrália também têm desenvolvido transgênicos. Nenhum, no entanto, produz açúcar ou álcool para a comercialização. ?Os estudos levam mais tempo, por volta de seis anos, contra os quatro da soja?, explica o agrônomo. A Copersucar já tem 10 tipos de plantas, que incorporam desde genes do milho, resistentes a fortes herbicidas, até o de uma bactéria que destrói o bicho da broca da cana-de-açúcar. ?Os transgênicos reduziriam à metade os custos com herbicidas e podem aumentar em até 7% a produtividade?. Claro que as esperanças da companhia em ter parte do domínio dos transgênicos ? ela realiza também intercâmbios com multinacionais como a Monsanto ? esbarram na briga do governo com ambientalistas e entidades de defesa do consumidor.

 

Nenhum produtor está autorizado hoje a plantar comercialmente transgênico no Brasil até que haja garantia de que não causará impacto ambiental. Os relatórios do tipo estão a cargo da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que autorizou somente plantios experimentais, como nos dois hectares da Copersucar. O governo tentou liberar o comércio da soja transgênica no ano passado, mas a Justiça barrou até que o relatório do CTNBio seja expedido. Muitos produtos, no entanto, já utilizam matéria-prima importada com transgênicos e o governo divulgará em breve regras para as embalagens. Qualquer alimento que apresentar em laboratório sinais de alteração deverá ser rotulado como tal.

Burnquist se apóia justamente nesse tipo de catalogamento para afirmar que o açúcar de suas canas é inofensivo. ?Não há diferença entre um açúcar normal ou transgênico, pois os genes introduzidos na planta são eliminados no processo de industrialização?.

A aposta da Copersucar na biotecnologia para aumentar seu faturamento, da ordem de R$ 3 bilhões, é evidente. Em cinco anos, prevêem os executivos, a cana transgênica estará disseminada no País. Os estrangeiros também estão de olho nisso. Na semana passada, a francesa Dreifus comprou a usina Cresciumal, uma das 35 empresas ligada à Copersucar. Uma prova de que os negócios com açúcar prometem por aqui.

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