Negócios

Aulas na fábrica

A conversa no chão da fábrica foi especialmente animada. A gaúcha Evelyn Berg Ioschpe, 52 anos, presidente da Fundação Iochpe, esteve na quinta-feira, 21, na linha de montagem de faróis da Arteb, em São Bernardo do Campo (SP). Foi visitar os 18 alunos do projeto Formare, da Fundação, um curso anual instalado ali em junho deste ano. Levava boa notícia. Pesquisa concluída recentemente revela o sucesso do programa: 71% dos ex-alunos do Formare estão empregados e seus salários triplicaram nos últimos anos. Muitos casaram-se, compraram casas e concluíram o curso superior. ?Este é o grande prêmio do projeto?, comemora Evelyn Berg, mulher de Ivoncy Ioschpe, presidente do Conselho de Administração da Iochpe-Maxion, empresa do setor de autopeças com 4 mil funcionários e faturamento de R$ 700 milhões. ?Transformamos jovens carentes em cidadãos.? O programa foi criado dentro da fábrica de Canoas (RS) da família Ioschpe em 1988. Ali, um diretor decidiu convidar dez adolescentes pobres da redondeza a freqüentar a fábrica. Iriam estudar mecânica automotiva básica e almoçar com os funcionários. Nasceu assim o Formare. Hoje, esta escola técnica, que utiliza o chão da fábrica como classe de aula, atende a 558 jovens de quatro Estados. É destinada a adolescentes de 15 a 17 anos, cuja renda familiar seja inferior a dois salários mínimos.

Uma das virtudes do projeto é não ignorar a realidade dos jovens. Para cumprir o objetivo do curso técnico, os coordenadores e professores precisam driblar outros obstáculos. A educação é precária em disciplinas como português e matemática e há a indisciplina natural dos que vêm de famílias desestruturadas. É oferecido reforço escolar. ?Os jovens vêm de realidade muito difícil?, conta Evelyn. ?Nós os puxamos por um braço e o traficante por outro?, ilustra. Por isso, a idéia de utilizar o chão da fábrica como classe é componente pedagógico fundamental. ?O contato com a estrutura organizada da empresa educa?, diz Evelyn. ?Os professores são funcionários voluntários.? Cada aluno do programa recebe bolsa de R$ 50 mensais. A unidade de produção responsável banca os custos de alimentação, transporte, seguro de vida, assistência médica e odontológica. Ao todo, cada estudante custa R$ 250 por mês. O projeto saltou as cercas das propriedades da Iochpe-Maxion este ano. A Volkswagen implantou o Formare em janeiro na fábrica de caminhões de Resende (RJ), onde mantém 16 alunos. A Arteb adotou-o em seguida. A Ericsson será a próxima. ?O Brasil tem de fazer um mutirão pela educação para ser um país competitivo?, defende Evelyn.

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