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Mapa do tesouro

Pesquisa inédita indica em quais áreas investir na hora de criar uma startup

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Levy, da 100 open startups: executivos brasileiros estão atrás de tendências emergentes (foto: Claudio Gatti)

Há oito anos, o engenheiro Marcel Pinheiro tinha uma empresa de segurança. Instalava alarmes e sensores em grandes companhias da região de Campinas. Mantinha contato com agentes de segurança, que muitas vezes, trabalhavam de madrugada. Com o lançamento de carros semiautônomos da companhia americana Tesla, o engenheiro elétrico, que fazia pós-graduação em robótica na Unicamp, teve a ideia de criar um veículo sem motorista para fazer a vigilância de grandes empresas e propriedades.

Nascia assim, há dois anos, a Cybox. “Passou pela minha cabeça a ideia de ser inovador, de ser o primeiro a lançar um veículo autônomo para segurança”, diz Pinheiro, CEO e fundador da companhia, que está prestes a fechar contrato com um grande shopping de São Paulo. Exemplos como esse mostram que não basta ter uma boa ideia para começar uma startup. É preciso também saber qual a demanda do mercado e quais setores são mais inovadores. É exatamente o que mostra a pesquisa inédita da 100 Open Startup com 2,4 mil empresas iniciantes e 2 mil executivos de 200 grandes companhias.

A ideia era saber que tipo de tecnologia buscavam as grandes corporações e cruzar com o banco de dados de startups da entidade, que é utilizado para elaborar um ranking das cem melhores startups brasileiras. “Em geral, são tendências mais emergentes que os executivos estão interessados”, afirma Rafael Levy, diretor de tecnologia e fundador do 100 Open Startups. Os dados, publicados com exclusividade por DINHEIRO, mostram que faltam no mercado startups de soluções de impressão 3D, nanotecnologia, realidade virtual, realidade aumentada e carros autônomos. Um exemplo é a área de impressoras tridimensionais.

A pesquisa mostrou que 40,1% dos executivos têm interesse nessa área. Porém, só existem 3,3% de novatas atuando nesse segmento. A PrintGreen3D é uma delas. Criada em 2014, a companhia recicla garrafas PET e plásticos – como os que são utilizados para a fabricação de para-choque de veículos – e os transformam em resina reciclada para uso em impressoras 3D. “Há muita demanda para nossos produtos”, diz William Lima, sócio-fundador da empresa.

“Já há 500 mil usuários de impressoras 3D no Brasil e vemos grande interesse da indústria.” A área de realidade virtual é outro setor que tem espaço para o surgimento de startups, como a VR Monkey. “2016 foi o ano da realidade virtual e estamos colhendo frutos”, diz Pedro Kayatt, CEO da VR Monkey. No ano passado, a empresa fechou contrato com a Chevrolet para criar uma experiência de realidade virtual de um simulador de asa delta, utilizado em uma feira que a companhia participa, a Adventure Sports Fair. Já o laboratório Bristol Mayers usou os serviços da companhia para o lançamento de um novo medicamento contra o câncer. A VR Monkey criou uma experiência virtual que reduzia as pessoas a seres microscópicos, percorrendo a corrente sanguínea do corpo humano até chegar às células cancerígenas.

A Cybox, de carros autônomos, está se preparando para a onda dos carros sem motoristas. A startup, incubada na Unicamp, criou o MaxiDrive, um carro autônomo utilizado para reforçar a segurança em empresas e grandes propriedades. Com 70 centímetros de largura, 90 de comprimento e com torres com câmeras que chegam a 1,8 metro do solo, o veículo elétrico envia imagens em 360º para uma central de segurança. O modelo de negócios será o de aluguel dos veículos, com valor mensal de R$ 7,3 mil. Sua velocidade é de dois metros por segundo. Está longe da potência do Model S, da Tesla, mas é uma mostra de que as startups brasileiras podem encontrar o caminho da inovação.