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Se cuida, Walmart

A Amazon, gigante de comércio eletrônico, inicia projeto de mercearia que acaba com filas e ameaça a hegemonia dos varejistas tradicionais

Se cuida, Walmart

Varejo inteligente: projeto-piloto de mercearia estreará em Seattle, em 2017.  Compras serão controladas por um aplicativo de celular (foto: Divulgação Amazon)

A gigante americana de comércio eletrônico Amazon quer derrubar as fronteiras entre o varejo online e o físico. Na semana passada, a companhia comandada por Jeff Bezos mostrou ao mundo seu projeto de supermercado high-tech. Uma primeira loja será inaugurada em Seattle, sede da empresa, no começo de 2017. Não se trata, no entanto, da primeira investida da Amazon no mundo real. A companhia já abriu uma livraria nos Estados Unidos e especulava-se que ela poderia ter centenas delas pelo País, o que ainda não aconteceu.

Em 167 metros quadrados, o cliente encontrará no “mercadinho” de Bezos alimentos frescos e até uma lanchonete para refeições rápidas. A grande diferença em relação a outras empresas do ramo é que esta terá um ambiente de alta tecnologia. Não haverá caixas, nem filas (saiba mais ao final da reportagem). Sem nenhum funcionário no atendimento, tudo será comandado pelo aplicativo Amazon Go e por tecnologias inseridas na loja, como inteligência artificial e diversos sensores.

A empresa, que já faz um teste do sistema para os funcionários em sua sede, considera que a tecnologia envolvida no processo chega a ser a mesma utilizada em veículos autônomos. De acordo com fontes consultadas pelo jornal americano The Wall Street Journal, caso a experiência seja bem-sucedida, mais de duas mil lojas nesse modelo serão abertas no país.

Dois outros formatos maiores também estariam sendo estudados por Bezos. A entrada da Amazon nesse setor deve colocar imensa pressão por inovação. A proposta da empresa de Bezos para o “mercadinho” high-tech revoluciona o varejo de alimentos e deve chacoalhar concorrentes como o Walmart, hegemônico nos EUA. “Isso é uma grande ameaça aos varejistas tradicionais”, afirma Claudio Felisoni de Ângelo, presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar).

A varejista online americana já atua na área de alimentos desde 2007 com a Amazon Fresh, em que o consumidor compra online e a Amazon entrega em casa. Agora, ela expande sua atuação. “Ao abrir uma loja física, as suas vendas de supermercado total crescerão mais rápido, porque ter lojas estende seu apelo para além dos compradores on-line”, diz Bill Bishop, arquiteto-chefe de supermercados e especialista em varejo da consultoria americana Brick Meets Click.

Veja o vídeo que explica como funciona a Amazon Go (em inglês):