Tecnologia

“A companhia se reinventou diversas vezes nos últimos 100 anos”

O presidente da IBM Brasil, Marcelo Porto, falou à DINHEIRO:

“A companhia se reinventou diversas vezes nos últimos 100 anos”

O que significa o Watson para a IBM?
Ele muda tudo. Eu estou há quase três décadas na empresa. Entrei como programador, na era das máquinas programáveis, e cheguei à posição de CEO num momento em que a tecnologia é a das plataformas cognitivas, que aprendem e se aperfeiçoam.

Qual será o papel das pessoas para lidarem com essa nova tecnologia? Elas precisam ser uma espécie de professor?
As pessoas são necessárias para ajudar a plataforma se desenvolver. Isso não acontece sozinho. A beleza de tudo é que o computador não esquece nada e não se cansa. Vemos isso como o futuro da tecnologia. Não acho que vamos continuar no conceito de programação, que foi onde me formei. O desafio é como trabalhar essas plataformas para que se desenvolvam continuamente.

Com essa mudança, que tipo de empresas vão vencer no futuro?
Quem vai vencer nesse modelo serão as empresas que, do ponto de vista de negócios, vão conseguir migrar para uma plataforma como o Watson e colocar uma camada cognitiva, para transformar o seu negócio em algo em constante aprendizado.

A tecnologia já está madura para ser utilizada em larga escala?
Não posso considerar como algo já maduro. Mas a curva de maturidade está evoluindo. O que já fazemos com o Watson, que está todo na nuvem, é um negócio espetacular. Mesmo quando se compara com o que havia lá atrás. Em 2011, o Watson venceu o programa de perguntas e respostas Jeopardy!, competindo com os dois seres humanos que mais o venceram. Começamos a tecnologia como uma provocação, que já vinha desde a época de quando o Deep Blue venceu o russo Garry Kasparov, campeão mundial de xadrez. Mas a vitória no Jeopardy acendeu faróis na IBM para entender como esse negócio pode ser aplicado. 

Uma das grandes dificuldades dos especialistas de cada área é que o conhecimento tem ficado muito específico. O Watson ajuda a compensar essa dificuldade?
Sim. Seja um advogado, um médico ou engenheiro, o volume de informações hoje disponível é exponencialmente maior do que no passado. Um médico precisaria estudar 20 horas por dia para ficar atualizado. Para um advogado, imagina ter uma plataforma que conheça todos os casos, circunstâncias e decisões relativas ao caso em que está trabalhando. 

Que setores vão se beneficiar mais da tecnologia?

Diria que as indústrias que mais vão se transformar serão educação e saúde.

No que o Watson pode ajudar no setor de educação?
Nos EUA, temos o Watson Educação, que devemos trazer para o Brasil. Ele consegue, pela forma que uma criança escreve, recomendar a melhor escola. Ele analisa a personalidade pelo jeito dela escrever.

Isso pode ter grandes aplicações nas empresas?
Posso saber a personalidade de um cliente sem fazer questionário, sem pedir nada para ele. Óbvio que, quanto mais exposta em mídia social, mais fácil de criar este perfil. E serve para muita coisa. Na IBM, tenho o perfil de meus vendedores. Então, posso fazer o melhor casamento com cada cliente. Sei qual vendedor terá maior afinidade com o cliente. Isso faz toda a diferença. O desafio hoje, no mundo dos negócios, é como dar uma experiência ao cliente que seja única, independentemente do canal. Essa é a verdadeira batalha. Em meios de pagamento vai vencer uma empresa de telecom ou um banco? Ou uma empresa que desenvolve dispositivo móvel? Uma empresa de telecom ou de energia tem mais informações do comportamento do cliente do que um banco. 

Então, o Watson pode ser uma revolução para modelos de negócios?
Os grandes impérios foram construídos com grandes ativos. A melhor empresa ganhava por causa do seu centro de distribuição ou por possuir a melhor malha ferroviária, as melhores antenas, a melhor unidade de produção. Isso está entrando em colapso, porque todos esses ativos estão se virtualizando. Não interessa quem fabrica o smartphone ou quem faz o transporte. É preciso ter coragem de quebrar compromissos com o passado. Para poder se reinventar, é preciso quebrar isso. Tem empresa que inventou tecnologias disruptivas e não teve coragem de reinventar seu modelo tradicional.

A IBM é um exemplo? Ela sempre precisou mudar. Já foi uma empresa de cartões perfurados, de hardware, de serviços e agora está querendo entrar numa nova era?
Não somos imediatistas. Grande parte dos investidores da IBM tem esse perfil. As pessoas que investem na IBM são as que estão buscando o longo prazo, uma estratégia sustentável. Temos 105 anos mundialmente e 99 anos no Brasil. Chegamos aqui duas eras da tecnologia para trás. Primeiro, a era das máquinas tabuladoras. Depois a das máquinas programáveis. E agora chegamos à era das plataformas cognitivas. A companhia se reinventou diversas vezes nos últimos 100 anos e teve coragem de quebrar o compromisso com o passado. Essa disciplina da companhia é invejável.

Para onde ela ainda pode ir?
Há diversos caminhos. Compramos, para utilizar na nuvem do Watson, uma empresa chamada de Weather Company, que é quem provê os dados para a companhia de meteorologia The Weather Channel. Ela compartimentou a crosta terrestre em 3 bilhões de pedacinhos e sabe a previsão climática para cada pedacinho. Isso serve para um monte de coisa. Entre elas, se tenho uma empresa de cobrança e alguém não pagou a conta de luz, será que devo ligar para o consumidor no dia em que acontece uma tempestade em sua casa? E sei se ele está em casa pela geolocalização do celular. Não é melhor ligar quando estiver mais tranquilo? Já chegamos a um cenário em que os dados da The Weather Company são úteis para despachar equipes de manutenção de aviões, ou para empresas de seguro enviarem guinchos para áreas com propensão de sinistros.

Como foi a crise econômica brasileira para a IBM? Ela afetou muito?
Meu papel, como CEO, é mudar a realidade, e dar esperança. Crescemos no ano passado e vamos crescer neste ano. Não estamos aqui para vender o trimestre. Estamos há 99 anos no País. Como temos um DNA de serviços muito forte, há uma relação intensa com o cliente. Isso dá um modelo de negócios estável e uma receita estável. 

Como o sr. vê o momento do Brasil?
É saudável tomar medidas duras em momentos adversos. Temos de tomar as medidas e olhar para frente. Já vi muitas situações adversas neste País. Estou confiante que estamos no caminho certo. O Brasil vai voltar a crescer. O nosso papel como empresário e executivo não é ficar sentado reclamando, ficar na arquibancada torcendo para que as coisas mudem. É preciso entrar em campo e jogar.

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