Mercado Digital

A Netflix das academias

Como a Gympass, do empreendedor CÉsar carvalho, está levando a economia compartilhada para os adeptos de práticas esportivas

A Netflix das academias

Boa forma: a Gympass, de Carvalho, já tem mil academias no México e está prospectando o mercado espanhol (foto: Murillo Constantino)

Mineiro de Alfenas, o empresário César Carvalho, 32, sempre teve as atividades físicas como um dos seus hobbies prediletos. Ainda menino, gastava boa parte de suas energias jogando tênis e futebol no Alfenas Tênis Clube, a poucos metros da sua casa. Já adulto e morando em São Paulo, ele começou a vivenciar um dilema comum para boa parte das pessoas: conciliar a correria do dia a dia com a vontade de manter a boa forma. O então analista de negócios da consultoria McKinsey & Co perdeu a conta de quantas matrículas em academias foram feitas em vão na época.

Mas foi justamente na falta de alternativas para se exercitar que Carvalho encontrou fôlego e inspiração para fundar, em 2012, a Gympass, uma espécie de “Netflix das academias”. Nos moldes do serviço americano, o usuário escolhe quando e qual estabelecimento e modalidades frequentar. Para acessar uma rede de 5,5 mil academias, o consumidor compra diárias avulsas ou pacotes com diárias ilimitadas. Nos planos mensais, há ainda a opção de definir o quanto se quer gastar no período. O toque final para a criação do modelo veio quando Carvalho cursava um MBA, na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Ele conheceu os serviços da Zipcar, empresa de compartilhamento de carros. Com os preceitos da economia compartilhada, trancou a matrícula e voltou ao Brasil para refinar e colocar sua ideia no mercado. “Somos democráticos: a escolha é do consumidor”, diz. Na empreitada, teve a parceria dos sócios Vinicius Ferriani e João Thayro. Presente em 350 cidades do País, a Gympass abrange grandes redes e pequenas academias. São mais de 350 modalidades disponíveis. O leque vai desde atividades tradicionais até esgrima, circo e biribol. Para as academias, a adesão não tem custo.

A startup negocia preços com cada unidade e repassa uma parcela do pagamento do aluno – que varia de caso a caso. “Eles têm um alcance muito maior que o nosso”, diz Gary Schulze, sócio-fundador e diretor da Companhia Athletica, que aderiu ao serviço há dois anos. “Muitos usuários que a Gympass traz provavelmente nunca frequentariam nossa academia.” O foco da novata, atualmente, é o mercado corporativo. A estratégia é reduzir os custos das empresas com saúde, ao oferecer o serviço como um benefício aos funcionários.

Hoje, 70% da receita da Gympass vêm do mercado empresarial. A base de 120 clientes inclui nomes como P&G, Unilever e Albert Einstein. Até o fim de 2016, a meta é chegar a 300 companhias. Há três meses, a MetLife contratou o serviço. À DINHEIRO, a seguradora informou que investiu no benefício para dar mais flexibilidade e escolha aos seus funcionários em todo o País. Segundo a companhia, 27% dos profissionais já aderiram à plataforma no período. O objetivo é chegar a 50% até o fim do semestre.

A Gympass atraiu três rodadas de investimento, de valores não revelados. Além de fundos de venture capital como o Redpoint eVentures, a lista inclui nomes como Kees Koolen, cofundador e ex-CEO da agência de viagens online Booking.com, e Romero Rodrigues, fundador do site de comparação de preços Buscapé. Mais que os aportes, Carvalho diz que eles trouxeram conhecimento à operação. “Não havia ninguém fazendo nada parecido com o nosso modelo em academias”, afirma. “Não tínhamos referências e a experiência deles está sendo essencial na construção do negócio.”

Um dos próximos passos é a expansão internacional. A prioridade inicial é a América Latina e a Europa. Desde 2015, a Gympass atua no México, onde tem mil academias cadastradas e 20 funcionários, liderados por João Thayro. A startup também já está mapeando o mercado da Espanha. “Temos ambição de estar em todos os lugares, mas não vamos comprometer nossa eficiência para ter velocidade nesse processo”, diz Carvalho. Ele acrescenta que a novata quer fugir do padrão de crescimento rápido às custas de “queimar dinheiro”, adotado por muitas startups. “Queremos provar, de fato, que nosso negócio é rentável.”