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Investidor serial

Ao se afastar do dia-a-dia do Buscapé, o empreendedor Romero Rodrigues resolve intensificar sua veia empreendedora

Investidor serial

Romero Rodrigues:"Não quero uma placa com meu nome. Quero criar impacto e ser o investidor dos Netflixs, Googles e Facebooks brasileiros."

Nos últimos 16 anos, o empreendedor Romero Rodrigues e o comparador de preços Buscapé estiveram umbilicalmente ligados. Não é para menos. Com apenas R$ 100, Romero, como é conhecido no mercado, e seus sócios Rodrigo Borges, Ronaldo Takahashi e Mario Letelier – seus colegas na Escola Politécnica, da USP – construíram a mais internacional das pontocom brasileira, comprada por US$ 342 milhões pelo fundo sul-africano Naspers, em 2009 – o equivalente a R$ 1,3 bilhão em dinheiro de hoje.

Ao anunciar, através de um post publicado no portal da DINHEIRO, que estava deixando o comando do dia-a-dia da operação para ser o chairman do Buscapé Company, Romero escreveu que era “hora de virar a página, mas não de terminar o livro”. Na verdade, ele já está escrevendo as novas páginas de seu novo livro faz um bom tempo. Romero é um dos principais investidores-anjos do Brasil, aqueles personagens que colocam seu dinheiro no estágio bem inicial de uma startup. Atualmente, o fundador do Buscapé investe em uma série de empresas e deve se dedicar ainda mais a essa atividade, agora que terá mais tempo livre. Procurado, o empreendedor não quis dar entrevista.

Para pessoas próximas, no dia que comunicou as mudanças na cúpula do Buscapé, em 18 de setembro, Romero disse que quer ser “um hub de negócios”, ajudando a fomentar o empreendedorismo, bem como atuando de forma mais direta em alguns negócios que investe. Uma de suas prioridades será o Qipu, um aplicativo gratuito voltado para as microempresas individuais (MEI), que fechou parceria com o Sebrae. O Buscapé é um dos sócios do Qipu, mas Romero, segundo apurou a DINHEIRO, detém participação no negócio.

No total, o fundador do Buscapé é sócio-minoritário de pelo menos 13 empresas, mas acredita-se que ele e suas digitais estejam espalhadas por outros negócios, cuja identificação é guardada a sete chaves por contratos de confidencialidade. O alcance dos investimentos de Romero não se limita ao Brasil. Ele já detém participações no site de entregas de comida sul-africano OrderIn e no portal de venda de ingressos online ViaGoGo, que está presente em mais de 60 países. Em um artigo recente sobre empreendedorismo, Romero deixou claro que essa é uma de suas atividades preferidas. 

“É definitivamente minha cachaça”, escreveu ele. “Tem gente que gosta de colocar seu dinheiro e seu tempo livre em relógios, carros, vinhos e gravatas. Eu gosto de startups.” A saída de Romero do comando do Buscapé não chega a ser exatamente uma surpresa. Até as ciclovias da avenida Paulista, em São Paulo, onde está localizada a sede da empresa, sabiam que, ultimamente, ele se sentia desconfortável na direção do site de comparação de preços e se preparava para uma mudança. Quando vendeu o Buscapé, há quase seis anos, assinou um contrato para permanecer na operação até o fim de 2014, com carta branca do Naspers para implantar sua estratégia. Nesse período, comprou 18 empresas e diversificou a atuação para diversas áreas, como a de pagamento digital, com o Bcash.

O Buscapé também passou a investir em startups. Mas os resultados não vieram e o sócio sul-africano cansou de esperar pelo lucro. No fim do ano passado, o Buscapé demitiu quase 400 funcionários, fechou o BrandsClub, uma ponta de estoque online de produtos de luxo, e desativou uma série de empresas em que havia investido, como o Shopcliq e Recomund. “Não foi o ideal, mas foi o que aconteceu”, disse Romero, em uma entrevista à DINHEIRO, em maio deste ano. O executivo Rodrigo Borer, responsável pela operação brasileira desde 2010, assume o cargo de Romero.

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