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Menino também entra

Espécie de clube da Luluzinha, preferido pelas mulheres, a rede social de imagens Pinterest abre seu quinto escritório mundial em São Paulo e busca atrair a audiência masculina

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O mundo dá voltas: depois de ser o primeiro funcionário do Facebook no Brasil, Ricardo Sangion assume o comando local do Pinterest (foto: Pedro Dias)

Quando começou a trabalhar com internet nos anos 1990, o publicitário Ricardo Sangion causava estranheza nas agências de publicidade. Como trabalhava com códigos HTML, que dão forma a sites, alguns de seus colegas acreditavam que ele estava enrolando. Ao contrário do que seus companheiros de trabalho poderiam imaginar, a experiência com negócios digitais o levou a ser contratado como o primeiro funcionário do Facebook no Brasil, em 2010. Sangion recebeu, à época, a difícil missão de criar as bases para a empresa enfrentar o então todo-poderoso Orkut, do Google, que até 2012 foi a rede social de maior audiência no País.

Depois de cumprir essa tarefa, Sangion teve de bater de frente novamente com o Google ao trabalhar para o Bing, o buscador da Microsoft. Agora, esse campineiro de 38 anos volta a comandar o crescimento de uma rede social no Brasil. Sangion está à frente da americana Pinterest, site baseado em imagens, chamadas de “pins”, de alfinetes em inglês, que está abrindo em São Paulo seu quinto escritório no mundo – os outros estão localizados em Berlim, Londres, Paris e Tóquio, além de São Francisco, onde fica o quartel-general da empresa. No Pinterest, os usuários agrupam suas postagens em painéis temáticos, como se fossem um caderno de colagens digitais.

É possível seguir cada um desses painéis como no Twitter e pesquisar ao estilo do Google Imagens. Seus principais concorrentes são o Instagram, do Facebook, e o Flickr, do Yahoo!. “Minha missão é muito parecida com a que tive no Facebook”, diz Sangion. “Preciso adequar o produto às características e gostos locais.” Apesar de bater de frente com dois titãs da internet, o Pinterest teve 75,3 milhões de visitantes únicos, em dezembro passado, de acordo com a consultoria americana comScore. O Alexa, ferramenta que mede audiência online, posiciona a rede social dos alfinetes como o 24º maior site do mundo e o 15º nos EUA.

Esses são alguns dos argumentos que atraíram investimentos de US$ 762,5 milhões desde que a empresa foi fundada, em 2010, pelos empreendedores Paul Sciarra, Evan Sharp e Ben Silbermann. O mais recente aporte, de US$ 200 milhões, ocorreu em maio do ano passado. Com o dinheiro novo, a empresa foi avaliada em US$ 5 bilhões, valor de mercado similar ao da fabricante brasileira de cosméticos Natura. O grande desafio de Sangion, assim como de seus pares dos demais escritórios da Pinteres, é atrair a simpatia do público masculino para a rede social. Com 70% de sua audiência sustentada pelo público feminino, ela é conhecida como um grande clube da Luluzinha, na internet.

O primeiro passo para levar os barbados ao site foi modificar o sistema de busca, que agora apresenta resultados relacionados ao gênero dos usuários. “Isso não impede que um homem busque presentes para a namorada”, afirma Sangion. “Mas os resultados que aparecerão em primeiro lugar estarão ligados ao sexo de quem pesquisa.” Outro argumento é o uso do Pinterest como ferramenta de produtividade. Os painéis podem ser utilizados como um repositório de links de interesse, uma espécie de atualização do velho “favoritos” do navegador de internet, e lista de tarefas. Os especialistas dividem-se em relação à possibilidade de uma nova rede social florescer no Brasil.

“As pessoas já têm suas redes preferidas, é difícil de trocar”, afirma Denis Zanini, consultor de marketing digital da agência Ynusitado. “Para adicionar mais uma ao repertório, só se o Pinterest mostrar alguma novidade forte relacionada ao celular.” Atualmente, 75% do tráfego do Pinterest vem de dispositivos móveis. Mais otimista, a consultora de mídias sociais e professora na EduK e Ecommerce School, de São Paulo, Liliane Ferrari, acredita que as pessoas estão cansadas de redes sociais mais complexas, como o Facebook. “Vejo como uma rede promissora, uma vez que cada vez mais as imagens ganham espaço”, afirma Liliane. “O Pinterest é simples e funcional.”