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Rádio esperto

Conhecida como a Motorola da China, a Hytera planeja construir uma fábrica de rádio transmissores no Brasil, em 2015

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Câmbio: a Hytera, de Chen Qingzhou, quer crescer junto a órgãos governamentais que lidam com situações de emergência (foto: João Castellano/ISTOÉ)

Em meio a uma sala tomada de executivos engravatados, no escritório de uma distribuidora de equipamentos de comunicação na zona oeste de São Paulo, o chinês Chen Qingzhou era o único a destoar do figurino, vestindo uma surrada jaqueta de couro. Quem fizesse um julgamento pelas aparências não diria que o personagem é um dos 400 homens mais ricos da China, com um patrimônio de quase US$ 600 milhões, de acordo com ranking da Forbes. Sua fortuna deve-se à fabricante de rádio-transmissores Hytera, cujo valor de mercado é de US$ 1,3 bilhão, fundada e comandada por Qingzhou.

Conhecida como a Motorola da China, a Hytera, que faturou US$ 275 milhões no ano passado, tem planos de construir uma fábrica no Estado de São Paulo, em 2015, adiantou Qingzhou, com exclusividade à DINHEIRO. “É importante para conquistar o mercado brasileiro e de toda a América do Sul”, afirma o empresário. Segundo ele, os estudos de viabilidade econômica ainda não foram concluídos. A cidade em que a unidade industrial será instalada também não foi definida, assim como o valor do investimento total. Líder na China e segunda no mundo em seu segmento, a Hytera quer diminuir custos logísticos e tributários com sua fábrica local.

O plano visa, ainda, a aumentar o faturamento no País, que deve chegar a US$ 10 milhões neste ano. Em 2015, a previsão é dobrar a receita. Além do Brasil, outra prioridade para a região é o Peru. No começo de outubro, a Hytera inaugurou seu escritório no país andino. A empresa fornece rádios para importantes órgãos do governo do presidente Ollanta Humala, como o Ministério do Interior, Polícia Federal, além de governos municipais. “Há uma preocupação crescente dos governos de toda a América Latina em reagir o mais rapidamente possível a catástrofes naturais”, diz Qingzhou.

A aproximação com o Brasil tem também a intenção de desenvolver soluções adaptadas para o mercado, considerada a saída para a empresa sobressair à onda dos smartphones. A fábrica brasileira abrigará ainda um centro de desenvolvimento. “Queremos deixar os rádio-transmissores com recursos similares aos dos celulares inteligentes’”, afirma Qingzhou. Segundo o vice-presidente da Hytera, o executivo brasileiro Ricardo Bovo, batalhar por preço nesse segmento já não é mais viável. “No Brasil, queremos oferecer produtos para todos os segmentos com tecnologia de ponta”, afirma Bovo.