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Netflix aceita pagar para ter vídeos mais rápidos

Plataforma fecha acordo com maior provedora de internet americana Comcast e coloca operadoras na vantagem no debate sobre a neutralidade da rede

Netflix aceita pagar para ter vídeos mais rápidos

A discussão da neutralidade na rede nos Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira 24. A plataforma de vídeo online Netflix e a provedora de internet Comcast fecharam um acordo para que o conteúdo do site de streaming chegue aos clientes da operadora na maior velocidade possível.

O favorecimento de algum site ou plataforma online por parte de provedoras de internet, seja por estratégia de negócio ou acordos financeiros, vai contra a ideia de neutralidade da rede, que diz que a empresa que presta o serviço de internet deve tratar o tráfego de informações sem nenhum tipo de privilégio.

Nos Estados Unidos, o debate está em aberto. Após discussão no Congresso, as regras de internet do país foram determinadas pela FCC, comissão federal de comunicação. A Justiça americana, no entanto, derrubou o texto do órgão federal, afirmando que ele não poderia regular o assunto.

A negociação entre Netflix e Comcast é mais técnica. A plataforma de streaming de vídeos pagava para que empresas terceiras fossem responsáveis pelo tráfego de seu conteúdo, para que não fosse refém das grandes operadoras. Essas companhias não estavam dando conta da demanda de rede do Netflix, que é responsável por um terço de todo o tráfego de internet no mundo.

Com o desempenho de seu site caindo, a empresa foi obrigada a procurar os provedores de internet para fechar acordos. O Netflix paga para ter linhas especiais e servidores dedicados dentro dessas empresas. Algumas provedoras menores de internet dos EUA já estavam na folha de pagamento do Netflix.

O esforço para prestar um serviço mais veloz para seus clientes está gerando custos para a empresa. O CEO do Netflix, Reed Hastings, afirmou que se essa questão não for debatida, a plataforma terá um reflexo negativo em seus resultados, tanto pelo aumento de custos pelos pagamentos a operadoras, quanto pelo abandono dos usuários pelo baixo desempenho dos vídeos.

Ao aceitar pagar para que seu conteúdo ganhe fluidez, o Netflix pressiona seus concorrentes para que façam o mesmo. Ao mesmo tempo dá vantagem às operadoras no debate da neutralidade da rede. Elas, além de ganhar outra fonte de receita, ficam em posição de vantagem na discussão. “A Comcast vai usar o acordo com o Netflix para afirmar que não há necessidade de uma regulação para a neutralidade na rede”, disse Carlos Kirjner, da consultoria americana Bernstein Research.

No Brasil, a neutralidade da rede também está em debate, dentro o Marco Civil – que está sendo analisado no Congresso e teve novamente sua votação adiada. Sem acordo entre o governo e o PMDB, o projeto tranca a pauta de votações da Câmara desde outubro do ano passado. O ponto mais polêmico do projeto, do qual o governo não abre mão e que contraria o interesse das empresas de telecomunicações, é justamente a neutralidade de rede, que o relator Alessandro Molon (PT-RJ), considera o “coração” do projeto.

O PMDB também não concorda com a obrigatoriedade de as empresas manterem centros de dados (data centers) no Brasil para garantir a jurisdição da legislação brasileira sobre a questão, mas esse tópico se tornou central para a presidenta Dilma Rousseff depois das denúncias de espionagem dos Estados Unidos.

Mas o que é a neutralidade da rede?
A neutralidade garante que as companhias que comercializam o acesso à internet não podem dar prioridade a uma informação em detrimento de outra. Por exemplo, uma companhia que presta serviço de telefone fixo, celular e também de internet, poderia diminuir a velocidade dos serviços de voz sobre IP, afetando a qualidade de serviços como o Skype, criando assim uma vantagem para si.

Sem a neutralidade, um provedor poderia cobrar de portais ou plataformas para que seus conteúdos fossem disponibilizados com melhor ou pior desempenho, ou diminuir a qualidade de serviços de vídeos, para que houvesse menor consumo de banda. “A neutralidade garante que os dados sejam tratados da mesma forma”, afirma Luiz Fernando Moncau, pesquisador gestor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV. “A falta dela daria maior poder de controle para as empresas.”

Esse debate ganhou mais peso com a evolução do conteúdo de vídeo disponível na rede, como o YouTube e o Netflix. Ambas as plataformas, juntas, são responsáveis por quase metade do tráfego da internet. Segundo a opinião de quem defende o fim da neutralidade na rede, isto deveria acarretar algum custo para essas ferramentas.

São poucos os países onde a neutralidade é devidamente regulamentada. Nos Estados Unidos ela chegou a ser aprovada pelos órgãos oficiais, mas algumas empresas promovem ações que, na letra fria da lei, vão contra a neutralidade da rede. Alguns bancos, por exemplo, custeiam o tráfego para a AT&T para que seus usuários possam navegar por seus portais com a máxima velocidade disponível – independente do pacote que eles assinam – e sem consumir da cota a que ele tem direito.

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