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O jogo acabou para a Nintendo?

O console de videogames Wii U tem vendas fracas e japonesa caminha para terceiro prejuízo anual consecutivo. Será que conseguirá reverter essa jogo?

O jogo acabou para a Nintendo?

Filmes, centenas de jogos, parques, camisetas e outra infinidade de produtos levam a marca registrada de Mario, personagem clássico dos games criado pela japonesa Nintendo. Durante décadas, em seus mais de cem anos de história – quase 50 deles envolvidos com videogames -, a Nintendo foi acostumada com o protagonismo. Marcou época com o Super Nintendo, disputou a liderança do setor com o Nintendo 64 e quebrou recordes de vendas ao reinventar a maneira de interagir com um console de mesa com o Wii. Nos últimos anos, contudo, a empresa parece estar ficando para trás. A japonesa afirmou que em março, final de seu ano fiscal, deverá ter vendido 2,8 milhões de unidades de seu novo console, o Wii U – uma queda drástica em relação à previsão feita há um ano pela empresa, que era de 9 milhões de unidades vendidas.

A fraca recepção afetou os números da japonesa. Ao contrário da previsão de lucro de US$ 1 bilhão, as novas expectativas da empresa presidida por Satoru Iwata trazem perdas de cerca de US$ 350 milhões, o terceiro prejuízo anual consecutivo da Nintendo. “As vendas do console durante o Natal foram decepcionantes”, afirmou a companhia, em nota. “A saída de nossos jogos de maior valor também está abaixo do previsto”.

Assim que a notícia saiu, o mercado foi duro com a empresa e as criticas logo apareceram. “A Nintendo deveria abandonar o Wii U”, disse o analista da Wedbush Securities Michael Pachter, um dos mais conhecidos analistas do mercado de games. “O primeiro passo para se recuperar é admitir o problema.”

O ocaso da Nintendo começou ainda no final da sétima geração de consoles. Quando foi lançado, no final de 2006, o Wii saiu na frente de todos seus concorrentes. O videogame tinha uma nova proposta de interação, usando movimento aliado ao tradicional controle. Quando ele chegou ao mercado, o Xbox 360, da Microsoft, já estava nas prateleiras há um ano. Foram necessários seis meses para que a Nintendo tirasse essa diferença e abrisse distância.

Aliado a títulos amados pelos jogadores mais fanáticos – como as aventuras de Link, protagonista da franquia Zelda -, a máquina apostava em um público mais amplo: o de jogadores casuais. Os títulos de esportes e fitness da empresa quebraram recordes de vendas. O Wii Sports teve 82 milhões de unidades vendidas, o dobro do segundo colocado Super Mario Bros – que também é da Nintendo.

O brilho chamou a atenção dos concorrentes. Sony e Microsoft abriram suas plataformas para desenvolvedores de menor expressão e também começaram a investir em jogos mais casuais. Para completar, em 2010, ambos os consoles lançaram seus respectivos leitores de movimentos, acabando com a vantagem do Wii. Um ano depois, pela primeira vez, o videogame da japonesa não foi o mais vendido durante a sétima geração de consoles. De lá pra cá, a empresa está atrás dos concorrentes. “Hoje, esse é o lugar da Nintendo: um amargo terceiro lugar”, afirmou Eiji Maeda, analista da japonesa SMBC Nikko Securities. “É uma empresa que vende apenas para seus fãs”.

Não foram só os consumidores que não compraram a ideia da Nintendo. Os desenvolvedores também estão receosos com o Wii U. Yves Guillemot, CEO da Ubisoft, primeira empresa a lançar títulos exclusivos para a plataforma, afirmou que a Nintendo precisaria trabalhar mais em sua máquina se quisesse que a francesa continuasse a dar atenção a ela. Já a americana EA, que também desenvolve games, disse que não está trabalhando em nenhum título exclusivo para o console e que essa posição não deve mudar nos próximos meses. “Para receberam mais atenção, eles devem melhorar o desempenho de sua máquina”, afirmou a empresa, em nota.

Enquanto o Wii U parece não ter caído no gosto do consumidor, Playstation 4, da Sony, e Xbox One, da Microsoft, tiveram um Natal de vendas aquecidas. O console da Sony, por exemplo, já vendeu 4,2 milhões de unidades em todo o mundo em seus primeiros três meses de prateleira – 50% mais do que o previsto pela Nintendo para seu primeiro ano de Wii U.

Segundo os especialistas, as mudanças que a Nintendo precisará fazer são drásticas. A primeira é de filosofia, apostando em uma configuração mais potente para o Wii U – o atual console da Nintendo tem hardware semelhante ao de Playstation 3 e Xbox 360. A japonesa também precisa voltar sua atenção a mercados emergentes. O Wii U, por exemplo, é o único videogame de oitava geração que não foi lançado no Brasil ao mesmo tempo em que no resto do mundo, chegando por aqui no final de 2013, um ano depois que nos Estados Unidos e Japão. “Não sei como Iwata continua empregado”, disse Pachter.
 

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