Tecnologia

Impsat sai do escuro

A Impsat, uma das principais fornecedora de infra-estrutura para telefonia e internet na América Latina, acaba de sair da Unidade Intensiva de Tratamento. Ou quase isso. Em 2002, a companhia entrou com um pedido de concordata na Justiça americana, com uma dívida superior a US$ 1 bilhão. Depois de um profundo processo de reestruturação, esse valor caiu para US$ 260 milhões. O balanço voltou de vez ao azul. No segundo trimestre, o faturamento atingiu US$ 55,5 milhões. No mesmo período de 2003, não chegou a US$ 1 milhão. Os bons ventos também chegaram ao Brasil. Neste ano, a operação local comemora um lucro operacional de R$ 14 milhões, contra R$ 8 milhões em 2003. Para 2005, o plano é voltar os olhos novamente para o mercado. A empresa pretende investir até US$ 15 milhões para aumentar a capacidade tecnológica e ganhar novos clientes. ?Com a casa arrumada, estamos nos dedicando totalmente aos projetos?, afirma Célio Bozola, diretor-geral da subsidiária brasileira. Por trás da investida, está uma meta ambiciosa: tornar o Brasil a principal unidade do grupo em volume de negócios. Hoje, é a terceira.

A Impsat cometeu o erro clássico das empresas de seu setor: investir antes da demanda chegar. Em dois anos, gastou US$ 800 milhões na criação de infra-estrutura de comunicação na região. Faltaram os clientes, afugentados pelo desaquecimento do mercado de telecomunicações e o estouro da bolha da internet. Endividada, a empresa costurou um acordo com credores, como Nortel e Morgan Stanley, e parte dos débitos foi convertida em participação no capital da companhia. A operação brasileira entrou em uma dieta severa. As contratações foram colocadas em banho-maria. Diversas atividades foram terceirizadas. A equipe de engenharia diminuiu, pois a infra-estrutura já estava instalada. O quadro de pessoal encolheu 17% e hoje soma 450 pessoas. Mais enxuta, a empresa acabou ganhando em eficiência. O tempo de implantação de projetos caiu de mais de um mês para 25 dias. O resultado veio rápido: foram fechados 100 novos contratos e ampliados outros com empresas como Ponto Frio e Petrobras. Os antigos clientes não abandonaram o barco. ?Seria muito oneroso e demorado para eles mudar uma infra-estrutura de comunicação?, afirma Bozola.

O executivo acredita que há muito espaço para crescimento. As maiores apostas vão para duas das quatro unidades de negócio: telefonia, que representa somente 2% do faturamento, e data center ? as outras duas são internet e transmissão de dados. ?Estamos bem equipados para atender o mercado de telecomunicações?, diz Bozola. A companhia quer ser vista como uma boutique de serviços de telefonia mundial por sua vasta infra-estrutura de comunicação por redes de fibra ótica, rádio e satélite. Bozola, que chegou à Impsat meses antes da crise estourar, é um dos mais entusismados com a recuperação. ?Foi desesperador entrar na UTI porque não sabíamos se sairíamos dela?, comenta. O executivo garante que perdeu algumas noites de sono, mas não teve nenhum outro efeito colateral. Aparentemente, a Impsat provou ter a mesma resistência física de seu diretor.