Tecnologia

INVASÃO INDIANA

Como uma manada de elefantes em disparada, um dos gigantes de software da Índia, o Tata Group, resolveu ampliar sua atuação no Brasil. O acordo operacional com a brasileira TBA que existe há um ano será ampliado. Deixará de ser uma simples joint venture e ganhará mais volume. O Tata mapeará novas oportunidades de negócio na área de software, incluindo a abertura de uma nova linha de produtos para atender os clientes corporativos internacionais e locais. A companhia sairá dos atuais 140 empregados para 3 mil nos próximos anos. Os indianos estão de olho
no potencial de negócios no Brasil e tal desejo desperta a reação de companhias nacionais que atuam na mesma área. ?Há aqui mão-de-obra altamemte qualificada para os nossos projetos?, disse em entrevista exclusiva à DINHEIRO Ratan Tatan, presidente do Tata Group, um conglomerado de 96 companhias na área de software, chá, aço, hotéis e turismo que fatura US$ 10 bilhões por ano. No Brasil, o Tata irá se concentrar em tecnologia e o seu desembarque pode provocar uma mudança importante na estratégia das empresas locais que tentam alçar vôos internacionais.

No final de janeiro, Tatan passou alguns dias no Brasil em contatos com parceiros e políticos. Ele se encontrou com o presidente em exercício José Alencar (curiosamente o presidente Lula estava na Índia) e saiu animado com o resultado da conversa. Ele estreitou os laços com a TBA, que está sob investigação da Secretaria de Defesa Econômica ligada ao Ministério da Justiça. Nesse processo, a TBA é acusada de ser favorecida pela Microsoft nas suas vendas para o governo federal. A viagem de Tatan foi acompanhada de perto pelos seus concorrentes brasileiros, preocupados com suas reais intenções. ?Qualquer nível de cooperação entre países como Índia e Brasil é importante, mas não podemos nos transformar em mais um mercado de exportação de negócios para a Tata?, afirma Alexandre Moura, vice-presidente do Softex, ONG voltada para o desenvolvimento do mercado de software nacional ligada ao Ministério da Ciênca e Tecnologia.

No mercado internacional, a vantagem, por enquanto, está com os indianos. Empresas como Tata, Infosys e Wipro conseguem fechar contratos de terceirização de serviços na ordem de US$ 8,5 bilhões anuais. Esse volume representa 16% das exportações da Índia. No Brasil, esse volume não ultrapassa US$ 100 milhões anuais. As empresas brasileiras que atuam nesse mesmo setor como a Stefanini, Politec e CPM, esta fruto da associação entre o Bradesco e o Deutsche Bank, tentam enfrentar o poderio dos asiáticos, mas ainda não conseguiram repetir lá fora o mesmo êxito das suas operações brasileiras. ?Temos qualidade e capacidade técnica para enfrentá-los?, afirma Antonio Carlos Rego Gil, presidente da CPM. O problema é que o aumento da presença do Tata no País pode dividir forças no momento que todos acreditavam que o palco da disputa seria o mercado internacional.