Tecnologia

PROCURA-SE UM HACKER

O vírus MyDoom infectou um em cada 12 e-mails no mundo na semana passada e causou histeria na internet. Em dois dias, espalhou-se por 168 países e danificou as redes de pelo menos 12 das 100 maiores empresas americanas. A praga eletrônica causou prejuízos de US$ 5 bilhões e tem dentro de si uma bomba programada para o dia 1o de fevereiro, quando milhões de computadores infectados em todo o mundo enviarão mensagens para o endereço virtual da empresa californiana SCO até tirá-la completamente do ar.

Mas o que mais chamou a atenção foi o nascimento de um novo filão de emprego. São os dedo-duros digitais. Na última semana, a SCO ofereceu
US$ 250 mil para quem desse alguma pista do autor do vírus MyDoom.

Essa não foi a primeira recompensa oferecida a delatores de hackers. Em novembro, a Microsoft levantou um fundo de US$ 5 milhões para recompensar os dedo-duros e ofereceu US$ 250 mil para quem informasse o paradeiro do autor dos vírus Sobig e MSBlast. ?É como a perseguição a Saddam Hussein?, diz Luiz Macedo, diretor da Trend Micro, especializada em segurança. ?Dá-se um prêmio para encorajar pessoas da própria comunidade a delatar um membro.?

A SCO tornou-se alvo depois que começou a pregar que os vendedores do software aberto Linux deveriam pagar uma licença de uso para a SCO. A alegação é de que o sistema tem códigos da SCO em seu interior. Por causa disso, suspeita-se que o ataque foi disparado de dentro da comunidade de programadores Linux. Mas
há dúvidas sobre o resultado dessas recompensas. ?O tiro pode sair pela culatra?, diz Ricardo Costa, gerente técnico da Symantec, que vende o antivírus Norton. ?Para essas pessoas, uma recompensa assim pode ajudá-la a se promover.?