Tecnologia

PDF INTELIGENTE

Ao criar em 1994 a tecnologia PDF (Documento de Formato Portátil), a Adobe Systems queria algo bem simples. A estratégia inicial era alavancar a venda do software Acrobat, que tem uma versão paga e outra gratuita. A primeira permite a criação de documentos a partir de arquivos de texto, planilhas e imagens de qualquer tipo que podem ser enviadas pela internet. A segunda parte do software é a responsável pela leitura dos PDFs gerados no remetente. Essa versão (Acrobat Reader) tem mais de 600 milhões de usuários em todo o mundo. Nesse caso, a missão foi cumprida com êxito. De maneira espontânea, a Adobe criou seu próprio monopólio na área de documentos eletrônicos e se antecipou aos concorrentes. O que faltava era descobrir novas oportunidades dentro do mundo corporativo. A situação começou a mudar na metade do ano passado. A companhia com sede nos Estados Unidos, conhecida pelos seus programas de editoração e manipulação de imagens (Photoshop, Ilustrator e InDesign) e faturamento anual de US$ 1,29 bilhão, transformou o PDF em uma plataforma de negócios. Essa nova linha de produtos ganhou o nome de Document Server. ?Estamos incorporando inteligência ao PDF?, afirma o diretor da Adobe para a América Latina, Leandro Hernandez.

Essa iniciativa representa uma mudança no mundo das grandes em-
presas. Significa que as companhias não usarão o PDF exclusivamente para deixar os seus documentos mais bonitos e sofisticados, mas também para desenvolver negócios que antes não eram possíveis. Por exemplo, uma companhia de seguros em lugar de enviar pelo correio as propostas dos clientes poderá fazer tudo pela internet e em tempo real aprovar o documento sem a presença do corretor. Na área financeira, os bancos terão a chance de montar extratos de contas de acordo com a necessidade de cada cliente. Se alguém desejar apenas as informações sobre cheques depositados, o PDF acessará a base de dados e montará um documento com essas informações. ?É um mundo completamente novo e revolucionário?, afirma Walter Ruiz, diretor da Opus Software, uma das companhias licenciadas pela Adobe para introduzir o novo conceito nos clientes brasileiros. A nova realidade se encaixa em qualquer orçamento. Um projeto simples pode custar R$ 90 mil e o mais caro chegar em R$ 1 milhão.

Governo. No Brasil, a Adobe concentrará esforços em duas áreas: o setor de serviços, especialmente o financeiro, e o governo. Leandro Hernandez está de malas prontas para se transferir do México para o Brasil, onde cuidará de toda a operação na América Latina. ?Passarei mais tempo no Brasil porque aqui, sem dúvida, estão as maiores oportunidades para o nosso produto?, afirma o executivo da Adobe. A nova linha representa pouco mais de US$ 200 milhões do faturamento total da companhia. A intenção da Adobe é que em pouco tempo os lucros por trás da tecnologia PDF representem a mesma soma dos outros programas como o Photoshop, que tornou a marca da companhia conhecida em todo o planeta. Nesse caso, o valor dos papéis da companhia na bolsa de valores também serão valorizados.