Tecnologia

O CAIXA DA GVT

Entre as grandes operadoras-espelho, criadas para competir com as concessionárias regionais, a GVT foi a que deu certo. Após três anos confinada às regiões em que a Brasil Telecom opera, a empresa começa a expandir seus tentáculos no chamado triângulo de ouro: São Paulo, Rio e Minas Gerais. O objetivo é conquistar empresas cuja conta de telefone seja superior a R$ 6 mil por mês. Apoiada pelos investidores Magnum Group e pelo grupo israelense IDB, a operadora alardeia que está disposta a gastar R$ 3 bilhões nos próximos três anos para sustentar o seu avanço regional. ?Temos tamanho e tecnologia para ser muito mais do que uma mera empresa-espelho?, diz Paulo Humberto Gouvêa, um ex-funcionário da AT&T que foi contratado para coordenar as vendas corporativas em São Paulo. As operações
no Rio e em Belo Horizonte começam ainda este ano.

O trunfo da GVT está na sua rede de comunicação, uma das mais avançadas do País. Graças a ela, a equipe paulista da operadora fechou contratos com a cadeia de fast food árabe Habib?s e com a TecBan, administradora do Banco24Horas. No segundo caso, a GVT
irá prover a infra-estrutura de comunicação entre os caixas automáticos e a central de operações. Além de enviar a senha do correntista e voltar com o extrato da conta, o terminal poderá ser utilizado para colocar pequenos vídeos publicitários na tela. Assim, enquanto espera a autorização para um saque, um banco pode
inserir um pequeno comercial oferecendo um plano de previdência ou um seguro de automóvel. ?Enquanto as operadoras grandes herdaram uma rede sucateada, a GVT tem uma infra-estrutura nova e avançada?, diz Carlos Wako, diretor de tecnologia da TecBan. No acordo com o Habib?s, a GVT viabilizou a entrega de pedidos em
28 minutos. Todas as ligações de clientes das regiões Centro-Oeste
e Sul são atendidas em São Paulo. O pedido é enviado eletronicamente usando a mesma infra-estrutura. Se passar do tempo, a rede se compromete a não cobrar pelo pedido.

Ao atacar o mercado corporativo, a GVT escapou do triste destino das demais companhias-espelho. Enquanto a Vésper foi vendida para a Embratel, a Intelig aguarda um comprador. ?A GVT deu certo porque focou-se nas pequenas e médias empresas?, diz Edigimar Maximiliano, analista especializado em telecomunicações do Unibanco. Os executivos da GVT concordam. ?Mais importante do que aumentar o número de assinantes é alcançar aqueles com maior poder aquisitivo?, diz Gouvêa, da GVT. ?Foi essa a estratégia que nos trouxe até aqui.?