Tecnologia

VANTAGEM ASIÁTICA

Toda mudança tecnológica traz uma ameaça e uma oportunidade. Quando os celulares se tornaram digitais no início da década de 90, a finlandesa Nokia tomou a liderança da Motorola com aparelhos que, além de transmitir o som da voz, trocavam dados entre si. Agora, uma nova mudança se anuncia. Em todo o planeta, usuários estão ávidos por tirar fotos com seus telefones e enviá-las para amigos e familiares. E, nessa onda, os asiáticos saíram na frente. Com modelos fáceis de usar e telas nítidas, Sony-Ericsson, LG, Sanyo e Samsung abocanharam uma boa parte das vendas de aparelhos e ameaçam mudar o ranking mundial de fabricantes que tem a Nokia e a americana Motorola ocupando as primeiras posições. ?Esta é a oportunidade que nós estávamos esperando?, diz Silvio Stagni,
vice-presidente da Sony-Ericsson, uma joint venture entre a
japonesa Sony e a sueca Ericsson formada no final de 2001. Na previsão do executivo, em três ou quatro anos a maioria dos
celulares terá câmeras embutidas, sendo as marcas japonesas
e coreanas líderes neste mercado. ?A Nokia pode contar com a
gente para mudar o ranking?, diz.

STAGNI, DA SONY-ERICSSON:
?Esta é a oportunidade que
nós estávamos esperando?
A dianteira asiática tem razões históricas. A moda de fotografar com o celular começou no Oriente há mais de um ano e meio e virou mania entre adolescentes e adultos. Hoje, 80% dos celulares no Japão têm câmera. Para quem apostou na tendência, a recompensa veio rápido. Em apenas três meses, a Sony Ericsson alcançou a previsão de vender 1 milhão de unidades no Japão ? nove meses antes do esperado. As vendas mundiais de celulares com câmera totalizam 30% do mercado, ou 150 milhões de aparelhos. Mas a expectativa dos fabricantes é de que esse volume aumente exponencialmente. ?Em três ou quatro anos, o custo de produzir um celular sem câmera será maior do que fazê-lo com esse recurso?, diz Stagni.

PRODUÇÃO NACIONAL: A Samsung fabrica no País dois modelos, o Twist e o Image, e faz intensa campanha na televisão. O aparelho mais em conta sai por R$ 1.599
No Brasil o mercado ainda é dominado pelos aparelhos mais baratos, já que a maioria dos compradores está adquirindo seu primeiro modelo. É uma situação muito diferente da vivida na Europa, onde os consumidores estão no seu segundo ou terceiro celular. Como a vida útil desses aparelhos é de, em média, dois anos, espera-se que os brasileiros estejam renovando seus aparelhos em breve. Com isso, as apostas no Brasil têm sido grandes. A coreana Samsung, que trouxe ao País seu primeiro modelo de celular com câmera embutida há um ano, está trazendo quatro novos aparelhos. ?O brasileiro que consegue gastar um pouco mais já está comprando modelos com câmera?, diz
Oswaldo Mello Neto, diretor de telecomunicações da Samsung.
Para Chris Ambrosio, diretor de análises da Strategy Analytics, a empresa tem grande potencial para se dar bem mundialmente.
?Eles estão bem posicionados para impactar o mercado global nos próximos anos?, diz o especialista. Já a concorrente LG estréia
este ano seu primeiro aparelho com câmara fotográfica, que
será fabricado no interior de São Paulo.

ESTRÉIA TARDIA: A coreana LG demorou um pouco, mas finalmente está entrando com um aparelho com câmera, o Easy Shot, a R$ 1.500
Embora essa nova tendência possa mexer com o ranking mundial dos fabricantes e suas receitas, os maiores produtores ainda deverão manter seus postos. ?A Nokia tem bons contatos com as operadoras e um dinamismo de marketing impressionante?, diz Ambrosio, da Strategy. Para a Motorola, a mudança não representa uma ameaça. ?Os celulares com câmera não estão trazendo uma tecnologia totalmente nova e isso não vai fazer ninguém ganhar ou perder mercado?, diz Enrique Ussher, diretor de comunicação pessoal da companhia. Se para finlandeses e americanos o status quo será mantido, para os asiáticos a opinião é outra. ?É só uma questão de tempo para galgarmos algumas posições?, diz Stagni, da Sony Ericsson.