Tecnologia

GÁS NA BANDA

A briga pela internet rápida chegou aos canos de gás que cruzam o subsolo da capital paulista. A Iqara Telecom, subsidiária da gigante inglesa British Gas, está recheando com fibras óticas as antigas tubulações de ferro da Comgás, que pertence ao mesmo grupo. Até 2006, a Iqara irá gastar R$ 150 milhões na construção de sua rede digital, que já se estende por 120 km e se encontra em pleno funcionamento. Contudo, a Iqara Telecom não oferece o acesso diretamente aos consumidores, apenas aluga sua estrutura para as operadoras concorrentes da Telefônica, que hoje domina o mercado com seu serviço Speedy. Em menos de dois anos de operação, a Iqara já atende 28 empresas, incluindo GVT, Embratel e Intelig Telecom. ?Este ano vamos trazer pelo menos um forte rival do Speedy para São Paulo?, avisa o presidente da Iqara Telecom Fernando Mello. Nas últimas semanas, o executivo negociou simultaneamente com as operadoras Brasil Telecom e Telemar, que possuem os serviços de internet rápida Turbo e Velox.

 

O investimento da Iqara tem um motivo óbvio. A internet está gerando uma nova onda de demanda que, embora esteja longe da fantasia imaginada
nos anos 90, já é muito grande. De acordo com o instituto de pesquisas Yankee Group, a banda
larga deve movimentar no Brasil R$ 1,18 bilhão
este ano. O valor esperado é 60% superior ao registrado no ano passado. ?Essa é uma área que existe demanda e efetivamente existe receita?, diz Andrea Rivas, analista de telecomunicações do Yankee.

A Iqara não é a única a oferecer caminhos alternativos aos cabos de cobre da Telefônica. No final do ano passado, a Star One, que controla os satélites da Embratel, anunciou um plano de atender prédios comerciais dividindo os sinais que vêm do espaço. Ao partilhar o uso da antena entre seus clientes, a Star One também pretende dividir os custos para seus assinantes e, assim, diminuir o preço final. A redução do valor é uma condição fundamental para que a empresa possa competir com os demais em pé de igualdade. No Estado de São Paulo, a DirectNet e a Neovia estão ganhando terreno usando frequências de rádio para transmitir os dados da internet. Nesses casos, os sinais são enviados de uma antena terrestre para uma outra no topo dos prédios. ?Seis meses atrás, eu chegava sozinho para falar com o síndico?, diz Eduardo Barrieu, diretor da DirectNet. ?Hoje sempre há um concorrente na disputa.?

Nessa primeira fase, a Iqara irá oferecer o acesso apenas às empresas, mas com o tempo planeja chegar aos usuários que moram em grandes conjuntos residenciais. Em silêncio, a empresa está estudando a entrada no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e interior de São Paulo. ?Nosso negócio está em qualquer lugar onde haja poucas alternativas de oferta?, diz Mello.